Curiosos e interessados em astronomia enchem observatório para ver eclipse solar

Mais de uma centena de curiosos e interessados em astronomia encheram hoje os relvados da torre do Observatório Astronómico de Lisboa para assistirem ao eclipse solar, observado em Portugal entre as 08:00 e as 10:00.

Lusa /

Durante duas horas, crianças e adultos protegidos com óculos tiveram os olhos postos no sol para observar a lua a tapá-lo lentamente. Para ajudar nesta tarefa, o Observatório Astronómico de Lisboa disponibilizou três telescópios e óculos com filtros solares.

"Não olhes sem óculos, faz mal", "põe os óculos para te protegeres do sol" eram frases que se ouviam repetidamente entre os curiosos que observavam o fenómeno, que acontece no dia em que começa a primavera no Hemisfério Norte.

O céu limpo foi um grande aliado do sol, permitindo que o eclipse parcial solar pudesse ser observado pelos portugueses.

"Tivemos muita sorte, no início da manhã estava nublado, mas o céu abriu" e "vamos conseguir observar o eclipse parcial do sol, esse fenómeno tão bonito e que traz aqui tanta gente ao observatório", disse à agência Lusa João Retré, coordenador do Departamento de Comunicação e Ciência do Instituto de Astrofísica e Ciências dos Espaço, do polo de Lisboa,

João Retré, astrónomo, explicou que "o eclipse do sol acontece sempre que a sombra da lua é projetada na terra e o próprio disco da lua tapa por completo o disco do sol".

"No caso em que o disco da lua não tapa totalmente o disco do sol é um eclipse parcial que é o que estamos a presenciar em Portugal", disse o astrónomo.

Durante o evento, astrónomos aconselhavam as pessoas a não observarem o eclipse com os seus telescópios, caso não tenham filtros solares, e a tomar todas as medidas de precaução, "porque observar o sol é sempre muito nocivo para a visão".

A curiosidade levou Ana Colaço à Tapada de Ajuda para poder observar o fenómeno de um local privilegiado, com o Tejo como pano de fundo.

"Vim ver o eclipse porque agora é só daqui a 11 anos e é uma experiência que vale a pena", disse à Lusa Ana Colaço, que já tinha observado um eclipse solar há 15 anos na Noruega.

Apaixonada por astronomia, Joana Ribeiro costuma colaborar nas "noites do observatório" e hoje foi mais um evento em que quis participar.

"Desde pequena sempre tive uma grande paixão pela astronomia e por isso liguei-me ao Observatório Astronómico de Lisboa e à equipa de monitores para aprender um bocado mais e usar a astronomia como hobby", contou a jovem à Lusa.

Joana Ribeiro já tinha assistido a um eclipse parcial em 2013 num evento no observatório, "mas não com a dimensão de hoje, não estava tanta gente".

O que a cativa no eclipse solar é a sua raridade: "Acontece uma vez, de vez em quando, e é um fenómeno fascinante a lua conseguir tapar o sol ao ponto de ficarmos com uma escuridão mais acentuada durante o dia, é sempre engraçado de se ver".

O fenómeno só ocorre quando o Sol, a Terra e a Lua, na fase de Lua Nova, estão alinhados. Por norma, os eclipses totais duram no máximo sete minutos. No caso do eclipse total do Sol, a coroa do "astro-rei" torna-se visível em redor do Sol eclipsado.

O eclipse foi total apenas no extremo norte do Oceano Atlântico, nas ilhas Faroé (Dinamarca) e Svalbard (Noruega) e na região Ártica.

HN // SO

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