De Santa Eufémia de Guimarães surgiram mãos para ajudar a Santa Eufémia de Leiria

De Santa Eufémia de Guimarães surgiram mãos para ajudar a Santa Eufémia de Leiria

Três semanas depois da passagem da tempestade, ainda há empresas voluntárias a acudir a telhados por reparar no concelho de Leiria. Em Santa Eufémia, a "ajuda preciosa" veio da sua homónima de Guimarães.

Lusa /

"Sabia da existência de uma Santa Eufémia em Leiria e queria perceber como é que esta Santa Eufémia, cá no Norte, sentindo as dores deles, poderia ajudá-los", disse à agência Lusa Sofia Silva, presidente da Junta de Freguesia de Prazins Santa Eufémia, em Guimarães.

Com ligações à construção civil, a autarca contactou empresas da freguesia, reuniram material, homens, um camião-grua e equipamento e seguiram no dia 07 para a União de Freguesias de Santa Eufémia e Boa Vista, em Leiria.

"Apanhámos a [depressão] Marta, que foi violenta, mas a intenção de deixar as casas protegidas foi mais forte e conseguimos fazer um trabalho difícil e contribuir para melhorar a condição das pessoas", conta Sofia Silva.

"Ficámos bem molhadinhos no final desse dia", recorda Nelson Oliveira, que ficou no terreno com uma equipa de três trabalhadores da Santa Eufémia vimaranense, continuando a acudir onde é necessário.

Por estes dias, mantêm-se por Leiria, com o contributo de empresas e particulares da sua freguesia.

"Felizmente, agora, há um solinho, mas com a chuva era impossível andar com argamassas e tudo o mais", nota Nelson Oliveira, referindo que têm resolvido umas seis a sete situações por dia.

Por Leiria, o empreiteiro tem encontrado pessoas cansadas de esperar pela luz e pela água, mas também muita gratidão pela ajuda que veio do norte, não faltando donativos: "Já recebemos muitas garrafas de vinho...", conta.

A ligação entre as duas Santas Eufémias, que não existia no passado, já levou os dois lados a esboçarem um encontro no futuro, com um espetáculo de teatro da Santa Eufémia de Leiria em Guimarães e uma futebolada entre as duas terras, diz Nelson.

"É um gesto de solidariedade enorme, que não tem preço. É um exemplo de cidadania para o mundo inteiro. Não há palavras nem dinheiro nenhum que pague estes profissionais da arte que deixaram as suas famílias e as suas esposas, alojados num pavilhão, para nos ajudar", realça o presidente da União de Freguesias de Santa Eufémia e Boa Vista, Paulo Felício.

Neste momento, assegura, a maior parte dos remendos nas casas destelhadas -- um "penso rápido na ferida" -- está feito e, para a semana, os casos mais prementes devem ficar resolvidos.

Também em Regueira de Pontes, outra freguesia do concelho de Leiria, o presidente da Junta, Vitor Matos, acredita que estará a dias de ver os casos mais complicados resolvidos, das cerca de 700 moradias afetadas pela depressão Kristin.

Para isso, também tem contado com a "ajuda preciosa" da empresa Imaper, de Vila Nova de Famalicão, que já reparou "dezenas de telhados" por aquela freguesia, salienta.

Vitor Pinheiro e António Moura, trabalhadores da empresa, estão por ali há quase 15 dias a saltar de telhado em telhado.

Hoje, arranjavam a cobertura da casa de Maria Eduarda Gonçalves, de 82 anos, situada próxima da Junta de Freguesia.

Apesar de lhe chover num quarto no primeiro andar, custa-lhe sobretudo a falta de televisão e telefone por estes dias.

"Infelizmente, ainda há muita coisa para fazer", nota Vitor Pinheiro, antes de subir novamente para a plataforma elevatória, que lhes permite ir aos telhados mais altos.

O dono da empresa, Diogo Carneiro, explicou à Lusa que a empresa tem como foco de negócio a instalação de estruturas metálicas, mas disponibilizou-se a ajudar, face ao seu conhecimento de trabalho em altura.

"Reuni a equipa, expliquei a situação de que poderíamos ter sido nós e perguntei quem é que poderia estar à disposição para ir. Todos, sem exceção, quiseram ir. Ficámos em cima uma equipa de quatro e oito foram para baixo. Depois de irem e estarem aí, entenderam que foi a decisão certa, que o cenário é devastador", sublinha.

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