Declarações de Gonçalo Amaral merecem "reflexão", diz António Cluny

Lisboa, 24 Jul (Lusa) - O presidente do Sindicato dos Magistrados do Ministério Público (SMMP) defendeu hoje que as declarações que têm vindo a ser feitas pelo ex-inspector da PJ de Portimão Gonçalo Amaral, que investigou o "caso Maddie", "devem ser alvo de reflexão".

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"Ouvi com atenção e interesse as declarações do ex-inspector da PJ Gonçalo Amaral e elas devem ser alvo de reflexão", disse à Agência Lusa António Cluny.

Confrontado com a crítica de Gonçalo Amaral, feita hoje no lançamento do livro "Maddie - A Verdade da Mentira", de que o desfecho do inquérito relativo ao desaparecimento da criança inglesa no Algarve podia ser diferente "com outro Ministério Público", António Cluny frisou que deve ser a Procuradoria-Geral da República (PGR) a fazer um eventual comentário, "uma vez que fez o acompanhamento regular do processo".

"Sobre processos o SMMP não se pronuncia", justificou.

O ex-polícia, que se aposentou a 01 de Julho, referiu que os indícios recolhidos durante a investigação do "caso Maddie" "podiam ter outra valoração" com "outro Ministério Público".

Gonçalo Amaral salientou que o comunicado de segunda-feira da Procuradoria-Geral da República (PGR), que determina o arquivamento do inquérito, "fala apenas em provas", mas para o ex-inspector da Judiciária a "prova é um conjunto de indícios", os quais, em sua opinião, não foram devidamente tidos em conta.

O investigador, afastado da liderança operacional do processo cinco meses depois do desaparecimento de Madeleine McCann, ocorrido a 03 de Maio de 2007, recusou que tenha havido "falhanço" na forma como conduziu as investigações, considerando que "houve uma interrupção" com o seu arquivamento, dado que pode ser reaberto se surgirem novos dados.

Gonçalo Amaral disse aos jornalistas que ficaram ainda por relatar outros elementos e factos relacionados com a investigação ao "caso Maddie", afirmando que "nem tudo" o que sabe está no livro.

Gonçalo Amaral recusou qualquer sentimento de "vingança" ao escrever o livro, contrapondo que se trata antes de um relato da investigação realizada até à sua saída. "O nosso trabalho está expresso aqui", disse.

Gonçalo Amaral recusou adiantar mais pormenores sobre uma questão que levanta no livro, segundo a qual o seu afastamento da liderança operacional do inquérito teria sido moeda de troca para o Reino Unido assinar o Tratado de Lisboa, coincidindo na data a demissão do polícia e o anúncio da aceitação do documento por parte do Governo inglês.

Tal como afirma no livro, hoje também disse serem apenas "rumores".

Madeleine McCann desapareceu a 03 de Maio de 2007, então com três anos, quando dormia num quarto de um complexo turístico na Praia da Luz, Lagos, Algarve, enquanto os pais jantavam com amigos num restaurante das proximidades.

FC/AMN.

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