Deco alerta para falta de rigor dos centros de inspecção automóvel

A Deco Proteste alertou hoje para a falta de rigor dos Centros de Inspecção Periódica de automóveis, considerando "alarmante e preocupante" que deixem passar falhas graves nos veículos.

Agência LUSA /

A Deco analisou, entre Março e Abril deste ano, 30 dos 169 Centros de Inspecção Técnica de Veículos (CITV) portugueses, levando à inspecção, de forma anónima, 30 carros com seis deficiências técnicas em pontos de controlo obrigatório numa inspecção periódica, sendo que nenhum dos carros estava em condições de ser aprovado.

Segundo a associação de defesa dos consumidores, nenhum dos centros detectou todas as seis deficiências criadas propositadamente nos veículos e nove dos CITV não detectaram sequer uma delas, revelou Vítor Machado, responsável do Departamento de Estudos de Mercado da Revista Proteste.

A Proteste considera, por isso, o exame "pouco rigoroso e eficaz" e que os inspectores "foram pouco criteriosos", já que alguns "esqueceram-se de examinar um ou mais pontos, outros limitaram-se a observá-los sem fazer a verificação do seu funcionamento" e mesmo, quando todos os procedimentos foram cumpridos, a inspecção foi ineficaz.

Quanto às falhas menos graves, ou de tipo 1, a Proteste exemplifica que a danificação da escova do pára-brisas do lado do condutor não foi detectada por 29 centros e que a folga da bateria passou na inspecção em 26 centros.

Nas deficiências de tipo 2, que podem pôr em causa o funcionamento e a segurança do veículo e passageiros, o fecho do cinto de segurança obstruído não foi detectado em 21 centros, 13 deles não notaram pneus diferentes no mesmo eixo, 14 falharam na análise do desalinhamento do médio esquerdo e a luz de nevoeiro traseira com intensidade insuficiente passou em 27 centros.

Para que um veículo chumbe numa inspecção bastam mais de cinco deficiência de tipo 1 ou uma falha de tipo 2, salienta a Deco, que não usou no estudo de ficiências de tipo 3, consideradas muito graves, obrigando à paralisação do automóvel ou limitando a sua deslocação até ao centro de reparação.

Rita Pinto Rodrigues, das relações institucionais da DECO, considerou hoje que uma das principais razões para esta situação é a pressão sobre os inspectores, além da "questão cultural e do facilitismo".

"A pressão do centro em rentabilizar a sua actividade passando muitos veículos na inspecção e a subordinação do inspector ao centro" podem explicar os resultados deste estudo, afirmou Rita Pinto Rodrigues.

Perante "esta violação da lei", a Deco exige "mais formação aos profissionais e mais condições para os centros de inspecção, nomeadamente ao nível dos equipamentos", e ainda "um reforço da fiscalização da actividade dos centros por parte da tutela com divulgação pública dos resultados".

O estudo foi enviado à Direcção-Geral de Viação (DGV), ao Ministério da Administração Interna e ao Ministério das Obras Públicas Transportes e Comunicações, para o qual passará a DGV, no âmbito do Programa de Reestruturação da Administração Central do Estado (PRACE) do governo.

Os 169 centros de inspecção existentes em Portugal Continental realizam anualmente cerca de cinco milhões de inspecções.

O estudo da Deco abrangeu 30 CITV distribuídos pelos distritos de Aveiro, Coimbra, Faro, Leiria, Lisboa, Porto, Santarém e Setúbal.

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