Deco tinha alertado em 2004 para corante potencialmente cancerígeno

A associação de defesa dos consumidores Deco lembrou hoje que tinha alertado no ano passado para o perigo de entrar na Europa o corante potencialmente cancerígeno detectado em produtos exportados pelo Reino Unido e que chegaram a Portugal.

Agência LUSA /

"Na revista Deco/Proteste de Julho/Agosto do ano passado tínhamos falado da questão, alertando a necessidade de as autoridades estarem atentas para essa substância potencialmente cancerígena", disse à Agência Lusa o secretário-geral da Deco, Jorge Morgado.

Na sexta-feira, a agência alimentar britânica anunciou a retirada do mercado de 359 produtos alimentares com o corante Sudan 1, potencialmente cancerígeno e proibido na alimentação na União Europeia.

As autoridades portuguesas detectaram molho inglês importado do Reino Unido por uma empresa das Caldas da Rainha e que poderá ter essa substância cancerígena.

Os lotes identificados foram já retirados do mercado, segundo o responsável da Direcção-Geral da Fiscalização e Controlo da Qualidade Alimentar (DGFCQA), António Ramos.

"Na revista de Julho/Agosto, tínhamos chamado à atenção para o facto de esse corante ser usado no molho inglês. Esse produto pode também ser usado para colorir especiarias, como o caril em pó, malaguetas ou pimentão e é muitas vezes usado em produtos pré- confeccionados e picantes, desde empadas a aperitivos", declarou à Lusa Jorge Morgado.

O responsável da Deco considerou ainda que os portugueses têm o direito de saber quais as marcas de molho inglês suspeitas de conterem o produto cancerígeno.

António Ramos, da DGFCQA, disse que o caso foi entregue ao Ministério Público, que não autoriza a divulgação das marcas antes de haver resultados das análises aos produtos retirados do mercado em Portugal.

"O segredo de justiça é um valor muito importante, mas mais importante é a defesa da saúde pública e o Ministério Público devia defender o valor mais importante", defendeu Jorge Morgado.

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