País
Dedo que apontava os McCann era da polícia britânica
Odor a cadáver, sangue e restos de fluidos corporais levaram a polícia britânica a reunir um colectivo de provas para constituir Gerry e Kate McCann suspeitos da morte da própria filha. A revelação é feita na única das mensagens libertadas pelo Wikileaks relativamente ao caso do desaparecimento de Madeleine McCann. As palavras são do embaixador inglês em Lisboa numa conversa em 2007 como o embaixador norte-americano.
O El País escreveu ontem no seu sítio da Internet sobre o caso McCann, tendo por base um dos telegramas diplomáticos libertados pelo Wikileaks. As palavras são do embaixador inglês em Lisboa, Alexander Ellis, durante uma conversa em 2007 como o embaixador norte-americano, Alfredo Hoffman.
Em causa está um encontro entre os diplomatas inglês e norte-americano, a 21 de Setembro de 2007, e cuja conversa – que versou o caso da menina britânica - seria assunto de um telegrama uma semana depois.
Madeleine McCann desapareceu a 3 de Maio de 2007 da residência de férias onde se encontrava num aldeamento da praia da Luz com os irmãos gémeos (mais novos), enquanto os pais jantavam com amigos a umas dezenas de metros do local.
A conversa entre os dois diplomatas ocorre escassos 12 dias após os pais de Maddie terem precipitado de forma brusca a sua saída de Portugal. A 6 de Setembro Gerry e Kate tinham sido interrogados durante 11 horas já como suspeitos pela morte e ocultação do cadáver da filha e saíam da esquadra de Portimão constituídos arguidos. Tratou-se para o casal de uma mudança radical, já que durante vários meses haviam gozado do estatuto de vítimas, e assim eram vistos tanto pela população como pelas autoridades, pelo menos na versão oficial.
As provas que os constituíam agora como arguidos, aponta a comunicação revelada pelo Wikileaks, foram colectadas pela própria polícia britânica e não pela portuguesa. Quem o diz é o embaixador Alexander Ellis.
“(Ellis) não entrou em detalhes (mas) admitiu que havia sido a própria polícia do seu país que havia desencantado as provas”, escreve o embaixador Alfredo Hoffman.
De acordo com o telegrama de Hoffman, o novo embaixador inglês em Lisboa recomenda sigilo absoluto sobre o assunto e admite em privado que a constituição do casal McCann como arguidos é fruto da investigação da equipa policial inglesa que se deslocou ao Algarve.
Com a ajuda de cães pisteiros trazidos de Inglaterra, os agentes britânicos identificaram odor a cadáver, sangue e restos de fluidos corporais tanto no apartamento de onde desapareceu a pequena Madeleine como na mala do carro alugado pelo casal McCann, indícios que terão levado as autoridades a considerar a hipótese do seu envolvimento na morte acidental da filha.
Este facto nunca foi reconhecido nem pela polícia britânica nem pelo governo de Londres, o que durante semanas chegou a criar mal-estar entre instâncias dos dois países, com a polícia portuguesa a ser alvo de fortes críticas por ter desviado o sentido da investigação para a responsabilidade dos pais de Maddie.
Gonçalo Amaral confirma responsabilidade dos pais
Gonçalo Amaral, ex-investigador da Polícia Judiciária que foi alvo de várias acções judiciais por parte do casal McCann depois de escrever e editar o livro "Maddie - A Verdade da Mentira", estranha que seja necessário um embaixador falar "para se dar alguma veracidade à responsabilidade dos pais no desaparecimento da Madeleine McCann".
"Eu acompanhei a investigação, sei o que lá está e sei o que falta fazer e sei que há responsabilidade no desaparecimento, não tenho dúvida nenhuma quanto a isso", diz o ex-coordenador da investigação ao desaparecimento de Madeleine.
Gonçalo Amaral desmente contudo o embaixador Alexander Ellis, sustentando que "não foi a polícia inglesa que chegou a essas conclusões. Não sei de que provas é que o embaixador inglês se estava a referir quando falou com o embaixador norte-americano. Agora, que há fortes indícios da responsabilidade dos pais, há, e foram recolhidos pela polícia portuguesa em cooperação com a polícia inglesa".
Por outro lado, o ex-investigador da PJ não perde oportunidade para apontar a direcção para a descoberta da verdade e manifesta esperança de que o Wikileaks "consiga imagens de satélite há tanto tempo aguardadas".
Representante dos McCann desvaloriza declarações do embaixador
Clarence Mitchell, porta-voz do casal McCann, desvaloriza as conversas entre os dois diplomatas considrando que as referências de Alexander Ellis não passam actualmente de uma “nota histórica" e desactualizada.
Ouvido pela Agência Lusa, Mitchell declarou que "esta é uma nota completamente histórica que tem mais de três anos", devendo ainda ser entendida à luz do contexto de então.
"Kate e Gerry viram o seu estatuto de arguidos levantado, com as autoridades portuguesas a tornar perfeitamente claro que não havia absolutamente qualquer prova que os implicasse no desaparecimento de Madeleine", sublinhou o representante do casal, lembrando que "até hoje continuam a trabalhar sem parar na procura da filha deles, colaborando quando é apropriado tanto com as autoridades portuguesas como britânicas".
Em causa está um encontro entre os diplomatas inglês e norte-americano, a 21 de Setembro de 2007, e cuja conversa – que versou o caso da menina britânica - seria assunto de um telegrama uma semana depois.
Madeleine McCann desapareceu a 3 de Maio de 2007 da residência de férias onde se encontrava num aldeamento da praia da Luz com os irmãos gémeos (mais novos), enquanto os pais jantavam com amigos a umas dezenas de metros do local.
A conversa entre os dois diplomatas ocorre escassos 12 dias após os pais de Maddie terem precipitado de forma brusca a sua saída de Portugal. A 6 de Setembro Gerry e Kate tinham sido interrogados durante 11 horas já como suspeitos pela morte e ocultação do cadáver da filha e saíam da esquadra de Portimão constituídos arguidos. Tratou-se para o casal de uma mudança radical, já que durante vários meses haviam gozado do estatuto de vítimas, e assim eram vistos tanto pela população como pelas autoridades, pelo menos na versão oficial.
As provas que os constituíam agora como arguidos, aponta a comunicação revelada pelo Wikileaks, foram colectadas pela própria polícia britânica e não pela portuguesa. Quem o diz é o embaixador Alexander Ellis.
“(Ellis) não entrou em detalhes (mas) admitiu que havia sido a própria polícia do seu país que havia desencantado as provas”, escreve o embaixador Alfredo Hoffman.
De acordo com o telegrama de Hoffman, o novo embaixador inglês em Lisboa recomenda sigilo absoluto sobre o assunto e admite em privado que a constituição do casal McCann como arguidos é fruto da investigação da equipa policial inglesa que se deslocou ao Algarve.
Com a ajuda de cães pisteiros trazidos de Inglaterra, os agentes britânicos identificaram odor a cadáver, sangue e restos de fluidos corporais tanto no apartamento de onde desapareceu a pequena Madeleine como na mala do carro alugado pelo casal McCann, indícios que terão levado as autoridades a considerar a hipótese do seu envolvimento na morte acidental da filha.
Este facto nunca foi reconhecido nem pela polícia britânica nem pelo governo de Londres, o que durante semanas chegou a criar mal-estar entre instâncias dos dois países, com a polícia portuguesa a ser alvo de fortes críticas por ter desviado o sentido da investigação para a responsabilidade dos pais de Maddie.
Gonçalo Amaral confirma responsabilidade dos pais
Gonçalo Amaral, ex-investigador da Polícia Judiciária que foi alvo de várias acções judiciais por parte do casal McCann depois de escrever e editar o livro "Maddie - A Verdade da Mentira", estranha que seja necessário um embaixador falar "para se dar alguma veracidade à responsabilidade dos pais no desaparecimento da Madeleine McCann".
"Eu acompanhei a investigação, sei o que lá está e sei o que falta fazer e sei que há responsabilidade no desaparecimento, não tenho dúvida nenhuma quanto a isso", diz o ex-coordenador da investigação ao desaparecimento de Madeleine.
Gonçalo Amaral desmente contudo o embaixador Alexander Ellis, sustentando que "não foi a polícia inglesa que chegou a essas conclusões. Não sei de que provas é que o embaixador inglês se estava a referir quando falou com o embaixador norte-americano. Agora, que há fortes indícios da responsabilidade dos pais, há, e foram recolhidos pela polícia portuguesa em cooperação com a polícia inglesa".
Por outro lado, o ex-investigador da PJ não perde oportunidade para apontar a direcção para a descoberta da verdade e manifesta esperança de que o Wikileaks "consiga imagens de satélite há tanto tempo aguardadas".
Representante dos McCann desvaloriza declarações do embaixador
Clarence Mitchell, porta-voz do casal McCann, desvaloriza as conversas entre os dois diplomatas considrando que as referências de Alexander Ellis não passam actualmente de uma “nota histórica" e desactualizada.
Ouvido pela Agência Lusa, Mitchell declarou que "esta é uma nota completamente histórica que tem mais de três anos", devendo ainda ser entendida à luz do contexto de então.
"Kate e Gerry viram o seu estatuto de arguidos levantado, com as autoridades portuguesas a tornar perfeitamente claro que não havia absolutamente qualquer prova que os implicasse no desaparecimento de Madeleine", sublinhou o representante do casal, lembrando que "até hoje continuam a trabalhar sem parar na procura da filha deles, colaborando quando é apropriado tanto com as autoridades portuguesas como britânicas".