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Defesa de Manuel Abrantes realça contradições e ataca credibilidade de vítimas

Defesa de Manuel Abrantes realça contradições e ataca credibilidade de vítimas

Lisboa, 05 Jan (Lusa) - A defesa de Manuel Abrantes no julgamento da Casa Pia usou hoje testemunhos prestados em tribunal para tentar descredibilizar as vítimas e realçar as contradições nos seus depoimentos que imputam abusos sexuais ao ex-provedor-adjunto da instituição.

© 2009 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

"Inverosímil", "inacreditável" e "descredibilizante" foram qualificativos aplicados repetidamente pela advogada Marta Saramago aos depoimentos prestados ao longo do julgamento pelas vítimas casapianas.

Ao referir-se aos depoimentos prestados em julgamento por três dos jovens que acusam Manuel Abrantes, Marta Saramago afirmou que "foram perdendo a memória" de sessão para sessão, considerando que para a acusação "não era conveniente estarem a dar testemunhos tão contraditórios entre si", porque isso seria "descredibilizante".

Discrepâncias de locais, datas e descrições das casas onde ocorreram os abusos foram os pontos principais apontados pela advogada, citando para isso depoimentos dos próprios jovens.

Utilizou ainda os testemunhos de outros alunos e ex-alunos da Casa Pia, educadores da instituição, directores de colégio e psicólogos para lançar a dúvida sobre a veracidade dos depoimentos que levaram Manuel Abrantes a ser pronunciado.

"Não vou dizer se os assistentes [vítimas] são mentirosos ou não, nunca privei nem convivi com eles. Limitei-me a assistir aos depoimentos que prestaram em tribunal", declarou, por seu turno, o advogado principal de Manuel Abrantes, Paulo Sá e Cunha, à saída do tribunal de Monsanto, em Lisboa, sustentando que a defesa de Manuel Abrantes tem toda a legitimidade para "usar elementos de prova que obviamente descredibilizam as versões que em tribunal foram contadas pelos assistentes".

Na sessão, foram referidos bilhetes de cinema apresentados pelo ex-provedor-adjunto da Casa Pia para demonstrar que no dia em que lhe são imputados abusos sexuais em Elvas estava de facto em Lisboa, no cinema.

Paulo Sá e Cunha criticou a acusação pelas alterações aos factos introduzidas durante o julgamento, que fazem do libelo acusatório um documento "vago, impreciso, não datado e mal circunstanciado".

Segundo a defesa de Manuel Abrantes, "a confusão é de tal ordem" que em sede de julgamento gerou "uma montanha de alterações circunstanciais desses factos, de tal maneira que já parece que é outra a pronúncia".

Considerou que essas alterações prejudicam os arguidos porque "as pessoas não se podem defender de moinhos de vento".

A defesa de Manuel Abrantes espera concluir terça-feira as suas alegações finais, que já disse terem como "único objectivo" a absolvição do seu cliente, que está acusado de 51 crimes e a quem o Ministério Público, nas suas alegações finais, deu como provados 15 crimes de abuso sexual de alunos casapianos e um de peculato de uso.

No banco dos réus deste julgamento que dura há mais de quatro anos estão ainda o ex-motorista da Casa Pia Carlos Silvino, o apresentador de televisão Carlos Cruz, o médico Ferreira Diniz, o embaixador Jorge Ritto, o advogado Hugo Marçal e Gertrudes Nunes, dona da casa de Elvas onde alegadamente ocorreram abusos sexuais de crianças casapianas.

FC/APN.


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