Defesa salienta que Pedro Strecht é testemunha da Acusação

Os advogados dos arguidos do processo Casa Pia sublinharam hoje que o pedopsiquiatra Pedro Strecht está a ser ouvido na qualida de de testemunha da Acusação, e não como técnico que acompanhou alegadas vítimas de abusos sexuais.

Agência LUSA /

A saída da 168/a sessão do julgamento, Paulo Sá e Cunha, defensor do ex -provedor-adjunto da instituição, Manuel Abrantes, afirmou que o pedopsiquiatra, que começou a ser ouvido na qualidade de testemunha arrolada pelo Ministério Pú blico, falou "de algumas generalidades e de questões técnicas que são interessan tes", acrescentando que seria mais interessante se estivesse a ser ouvido na qua lidade de perito.

"Seria mais interessante se estivéssemos a ouvir um perito. Mas estamos a ouvir uma testemunha e a testemunha fala de factos", afirmou o advogado, adia ntando que, na sua instância de perguntas ao médico que acompanhou as alegadas v ítimas durante mais de dois anos, procurará "reconduzir a questão aos factos".

"É isso que interessa tratar, mais do que enquadramentos teóricos, enfi m, posição doutrinais, que são interessantes, mas na psicologia têm muito a ver com escolas e orientação de pensamento", declarou.

Também Ricardo Sá Fernandes, defensor do apresentador de televisão Carl os Cruz, sublinhou que o pedopsiquiatra, que chegou a fazer parte da comissão de acompanhamento das vítimas da Casa Pia, tendo-se demitido destas funções em 200 5, está neste tribunal a depor como testemunha.

"O doutor Pedro Strecht não esta aqui a depor como perito, está aqui a depor como testemunha e, portanto, o depoimento dele tem basicamente a ver com o s factos de que ele é testemunha", vincou o advogado.

De opinião contrária é o representante da Casa Pia, Miguel Matias, que afirmou que o pedopsiquiatra defendeu em tribunal que o testemunho das vítimas é credível, como já o havia feito anteriormente.

"As vítimas são pessoas complexas pela sua vida, pela desestruturação q ue o evoluir da sua infância lhes causou, mas isso não as transforma em pessoas pouco credíveis e é isso que doutor Pedro Strecht tem vindo a relatar ao tribuna l", disse Miguel Matias, um dos advogados que representa a Casa Pia e as alegada s vítimas constituídas como assistentes.

"Não podemos passar de crianças sofridas a pessoas mentirosas como se t em pretendido fazer. É isso que tem sido esclarecido pelo tribunal e muito bem", frisou.

Pedro Stecht foi arrolado como testemunha pelo Ministério Público e ind icado também como testemunha por vários arguidos.

O pedopsiquiatra respondeu hoje a questões do colectivo de juízes, esta ndo agora a instância nas mãos do Ministério Público.

Pedro Strecht demitiu-se no ano passado da comissão de acompanhamento d as vítimas da Casa Pia por a juíza Ana Peres, que preside ao colectivo de juízes que julga o processo Casa Pia, ter decidido manter a realização de novas períci as psicológicas às alegadas vítimas.

A juíza negou na altura o pedido do médico e da comissão para que as ví timas não voltassem a ser sujeitas a novas perícias no Instituto de Medicina Leg al, como a magistrada tinha decidido em Dezembro de 2004.

O pedopsiquiatra, que desde 1997 colaborava com a Casa Pia e que encami nhou para a instituição o jovem que é agora a principal testemunha do processo, anunciou então, "com tristeza", a "decisão irreversível" de se demitir, mas na c arta dirigida ao ex-ministro da Segurança Social, da Criança e da Família Fernan do Negrão garantiu que iria manter o seu trabalho de suporte e intervenção junto a cada um dos jovens que dava acompanhamento especializado.

Na missiva, o pedopsiquiatra explicava que ao longo de mais de dois ano s avaliou e prestou apoio médico especializado a dezenas de crianças e adolescen tes "vítimas de horríveis crimes de abuso sexual", e defendia a credibilidade do s depoimentos dos jovens.

No entanto, esta posição do médico é contestada por algumas defesas dos arguidos, designadamente a do apresentador de televisão Carlos Cruz, que questi onou por que motivo, tendo Pedro Strecht seguido alguns alunos casapianos desde 1997, só depois de rebentar o escândalo, em Novembro de 2002, detectou situações de abusos sexuais.

Em Agosto de 2003 foram divulgados, através da comunicação social, docu mentos e uma carta do pedopsiquiatra, endereçada ao provedor Luís Rebelo, a acon selhar, em 1998, o internamento na Casa Pia de uma criança abusada sexualmente n uma instituição no Porto.

Mais tarde, o menor foi vítima dos mesmos actos na Casa Pia e veio a se r uma das testemunhas chave no processo em julgamento.

Na altura, o pedopsiquiatra escusou-se a fazer declarações públicas sob re o assunto, por considerar não ser oportuno, mas a já provedora Catalina Pesta na manifestou a convicção de que se tratava de "uma estratégia ignóbil" para des acreditar o trabalho profissional de Pedro Strecht, enquanto testemunha importan te do escândalo de pedofilia que levou à prisão preventiva de várias personalida des.

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