Deficientes mentais têm dificuldade em perceber as emoções dos outros

Os deficientes mentais têm dificuldade em identificar as emoções básicas dos outros através das suas expressões faciais, uma descoberta que poderá implicar alterações nas práticas educacionais destas pessoas , disse à Agência Lusa o autor do estudo.

Agência LUSA /

Segundo o director do Laboratório de Expressão Facial da Emoção (FEELab ), Freitas-Magalhães, o estudo, inédito a nível mundial, está ainda em curso, ma s os dados preliminares revelam que "os deficientes mentais têm défices cognitiv os na identificação das emoções básicas" - a alegria, a tristeza, a surpresa, o medo, a cólera e a aversão.

O mesmo trabalho aborda a deficiência mental ligeira, moderada, severa e profunda e indica que "quanto mais aumenta o nível da deficiência, mais aument a a dificuldade em identificar as emoções básicas", acrescentou.

Para o autor do estudo, estas revelações podem ter implicações práticas na forma como se reeduca crianças com deficiências mentais, já que demonstram q ue estas podem interpretar mal a reacção de um colega ou de um educador.

Nessa medida, "importa ver até que ponto é possível alterar as práticas educacionais e ajudar um deficiente a ter outro tipo de atitude, interpretando bem as expressões faciais de quem trabalha com eles, afirmou Freitas-Magalhães.

O investigador considera que este trabalho pode ser uma "ferramenta imp ortante para professores de crianças com necessidades especiais.

"O resultado deste estudo pode influenciar os critérios que estabelecem a distinção entre as crianças. Normalmente conta o QI [quociente de inteligênci a] e a adaptação social da criança ao meio. O défice cognitivo na identificação das emoções será outro dos critérios a ter em conta", defende.

Os primeiros resultados deste estudo, que deverá estar concluído no iní cio do Verão, indicam não existir grande diferença entre géneros ou idades na pe rcepção das emoções.

"Desde as crianças aos idosos, homens ou mulheres, todos apresentam o m esmo défice cognitivo, em função do nível da deficiência. As diferenças entre gé neros e idades são residuais, não sendo estatisticamente significativas", salien tou.

Freitas-Magalhães abordou este tema pela primeira vez na conferência "E xpressão facial: o reconhecimento das emoções básicas em crianças deficientes", que decorreu quarta-feira na Biblioteca Municipal de Felgueiras, no âmbito das c omemorações do 25º aniversário da CERCIFEL.

O director do FEELab irá ainda participar na Conferência sobre o compor tamento humano e a evolução da sociedade, que decorrerá de 07 a 11 de Junho na U niversidade da Pensylvania, em Filadélfia.

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