Delegados reúnem-se à porta fechada para eleger novo Comité Central
Lisboa, 30 Nov (Lusa) - Os delegados ao XVIII Congresso comunista reúnem-se hoje ao final da tarde, à porta fechada, para eleger o novo Comité Central, do qual sairão os órgãos executivos, com a saída confirmada de José Casanova da comissão política.
Segundo fontes do PCP, pode haver uma ligeira redução da Comissão Política, o órgão de direcção comunista mais restrito, actualmente com 24 elementos. A saída de José Casanova, 69 anos, director do jornal oficial do PCP, "Avante!", avançada pelo Sol, foi hoje confirmada por fonte da direcção comunista.
O órgão máximo do PCP entre congressos, o Comité Central, sofrerá uma redução de 16 elementos, de 174 para 158, 100 dos quais são funcionários do partido, segundo a lista proposta pela direcção cessante. Para o novo Comité entram 26 novos dirigentes.
A proposta da direcção cessante inclui 44 por cento de operários, 22 por cento de empregados, 30 por cento na categoria de "intelectuais e quadros técnicos" três estudantes e um empresário.
Do total de 158 elementos, apenas 39 (24 por cento) são mulheres. A média etária ronda os 47 anos.
Entre as saídas estão o deputado Honório Novo, o histórico Carlos Costa, que acompanhou o líder histórico Álvaro Cunhal na fuga da prisão de Peniche, em 1960, e Vítor Dias, que esteve 29 anos no Comité Central e 14 na Comissão Política.
O Comité Central é eleito, por voto secreto, pelos cerca de 1.500 congressistas numa reunião à porta fechada no espaço multiusos da antiga Praça de Touros do Campo Pequeno, prevista para as 19h.
À noite, depois do jantar, o novo Comité Central reúne-se na sede nacional do PCP, em Lisboa, para eleger os órgãos executivos e o secretário-geral, Jerónimo de Sousa, para mais um mandato de quatro anos.
No Congresso de 2004, onde ainda se ouviram algumas vozes discordantes da linha oficial do partido, Jerónimo conseguiu ser eleito, por braço no ar, sem votos contra e apenas quatro abstenções.
No Comité Central mantém-se, entre outros, o antigo líder Carlos Carvalhas, o vice-presidente da Assembleia da República António Filipe, a ex-deputada Odete Santos e os históricos Albano Nunes e Domingos Abrantes, que deixou a Comissão Política no anterior congresso.
Do sector sindical, mantém-se Arménio Carlos, dirigente da CGTP, e Amável Alves, enquanto outra sindicalista da Intersindical, Maria do Carmo Tavares, abandona este órgão.
SF/NS.