Demissão do diretor clínico do Centro Hospitalar de Setúbal é "grito de revolta"

O diretor clínico do Centro Hospitalar de Setúbal (CHS) afirmou que o seu pedido de demissão e de mais 86 médicos é um "grito de revolta para a situação desesperante e de rutura em vários serviços" daquele hospital.

Lusa /
Os médicos do Centro Hospital de Setúbal falam em rutura em alguns serviços chs.min-saude.pt

O pedido de demissão do cargo de diretor clínico do Centro Hospitalar de Setúbal, e agora da restante direção clínica, diretores de serviço e departamentos, coordenadores de unidade e comissões e ainda chefes de equipa de urgência, num total no total de 87 assinaturas, é o último grito de alerta para a situação desesperante a que o Centro Hospitalar de Setúbal chegou, à rutura das urgências e em vários serviços primordiais do hospital”, disse Nuno Fachada.

Estamos em rutura nos serviços de urgência, nos blocos operatórios, na oncologia, na maternidade, anestesia, etc., etc., etc.”, acrescentou o diretor do CHS, em conferência de imprensa realizada na delegação de Setúbal da Ordem dos Médicos.

Acompanhado por vários diretores de serviço demissionários, pelo presidente da secção sul da Ordem dos Médicos, Alexandre Valentim Lourenço, pelo secretário-geral do Sindicato Independente dos Médicos, Jorge Roque da Cunha, e pelo Bastonário Miguel Guimarães, Nuno Fachada garantiu que o Hospital de São Bernardo, tal como está, já “não consegue mais responder à sua população”.

É o momento de se cumprir o prometido. O Centro Hospitalar de Setúbal tem que ser reconvertido para o 'grupo D' dos hospitais, ou seja, deixar de ser financiado como um simples hospital distrital e passar a ser uma unidade multidisciplinar”, disse, defendendo que “é preciso criar condições para que se acabe de vez com a fuga dos médicos e outros profissionais para o setor privado e para o estrangeiro, por falta de meios e condições de fixação (dos médicos)”.

Por outro lado, Nuno Fachada defendeu que “as obras de alargamento do CHS, com início previsto para o próximo ano”, devem servir para “promover e potenciar o crescimento do Hospital de São Bernardo” e que “não poderão nunca servir para condensar o resto do centro hospitalar, ou seja, encaixar o Hospital do Outão ou a unidade de psiquiatria de ambulatório”.

“Seria trágico ver as ansiadas obras servirem para agravar o pesadelo já existente”, disse Nuno Fachada, deixando claro que a ampliação prevista não terá capacidade para acolher o Hospital Ortopédico do Outão e o serviço ambulatório de psiquiatria.

Em resposta a perguntas da agência Lusa, fonte oficial do Centro Hospitalar de Setúbal confirmou hoje ao final do dia que, até ao momento, tinha recebido apenas o pedido de demissão do diretor clínico, Nuno Fachada.

Em informação escrita enviada à Lusa, o Conselho de Administração do CHS adiantou que esta quarta-feira recebeu também uma moção enviada pela Ordem dos Médicos, “em que alguns clínicos do hospital manifestam `partilhar a sua apreensão´ sobre os motivos que presidiram à tomada de decisão do diretor clínico”.

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