Demolições de casas não avançam nas ilhas barreira do Algarve em Dezembro
O Ministério do Ambiente assegurou hoje que não haverá demolições de casas nas ilhas barreiras do Algarve até ao final do ano, mas apenas uma "intervenção simbólica" no âmbito do Plano do Ordenamento do Território (POOC).
"Não vai haver nenhuma demolição de casas nas ilhas barreiras" do Algarve, assegurou à Lusa Maria João Rocha, assessora de imprensa do Ministério do Ambiente, referindo, no entanto, que ainda este ano está prevista uma "intervenção" fora das ilhas barreiras.
Lembrando a importância das comunidades piscatórias, Maria João Rocha acrescentou que a intervenção poderá passar pelo derrube de um ou dois apoios de praia que estejam localizados em dunas primárias.
As intervenções em zonas de risco ambiental servirão para assinalar "simbolicamente" que as decisões governamentais são para serem cumpridas, acrescentou a assessora de imprensa..
O presidente da Câmara de Faro, José Apolinário disse também que, para já, não haverá demolições no concelho de Faro e referindo-se indirectamente a José Vitorino, seu antecessor, criticou "os que estão a usar a boa fé das pessoas para "agitar as águas" e não para resolver problemas".
O ex-presidente da Câmara de Faro e actual vereador do PSD, José Vitorino, enviou recentemente um comunicado à imprensa onde aclamava palavras de resistência e de combate à "passividade" face à "intenção do Governo de demolir casas nas ilhas barreiras em Faro" e solicitava que o POOC fosse matéria de discussão na próxima reunião do executivo, no dia 13.
Confrontada com as declarações do ex-autarca, José Apolinário reafirmou que as demolições em Faro não avançam sem os planos de implementação.
"Não aceitamos demolições por demolições. Somos pela requalificação", defendeu o presidente da Câmara de Faro, sublinhando que a questão das demolições "nem se coloca no concelho de Faro, porque o Plano de Ordenamento da Orla Costeira (POOC) tem um conjunto de pressupostos ainda por realizar".
"Antes de se falar em demolições, a Câmara de Faro considera que deve ser implementada a comissão de acompanhamento do POOC", explica Apolinário, referindo que a comissão deve envolver as várias autarquias e as associações de moradores.
A definição das zonas de intervenção e a identificação dos casos existentes nas ilhas algarvias, designadamente as casas dos pescadores, são outros dos planos que têm de ser implementados antes de pensar nas demolições, acrescentou o autarca de Faro.
Há cerca de uma semana, o secretário do Ordenamento do Território, João Ferrão, referiu que as demolições no Algarve previstas no POOC iriam avançar na primeira quinzena de Dezembro.
"Esta acção tem um papel dissuasor, pedagógico e mostra firmeza, que não se trata apenas de palavras", referiu João Ferrão a um jornal diário português.