Demolições já começaram, mas novos espaços ainda não estão prontos
Lisboa, 27 Fev (Lusa) - As demolições de bares e restaurantes na praia da Costa da Caparica, Almada, já começaram, mas as estruturas que vão substituir os velhos estabelecimentos ainda estão por concluir, o que leva alguns comerciantes a temer pelo negócio.
"É completamente impossível os prazos que estão a dar", afirmou à agência Lusa António Ramos, mais conhecido por "Barbas", referindo-se ao término da sua licença de exploração (31 de Março), enquanto aponta para as novas estruturas que estão a ser erguidas para substituir os velhos espaços, algumas apenas com o "esqueleto" montado.
O empresário, com cerca de 40 empregados a cargo nos restaurantes "O Barbas" e o "Bento" teme que tenha de fechar as portas a 31 de Março, sem poder instalar-se no novo espaço.
De acordo com o advogado que o representa, bem como a outros concessionários, Paulo Edson Cunha, "os prejuízos serão enormes".
Tanto o empresário como o advogado afirmam que sempre lhes foi transmitido que apenas sairiam do local onde estão quando os novos estabelecimentos ficassem prontos, na sequência do desenvolvimento do Programa Polis, que vai dar uma nova cara à Caparica.
Ambos afirmam que o compromisso assumido com a Costa Polis foi entregar os velhos restaurantes para demolição quando recebessem as chaves dos novos.
Depois de receberem as chaves dos novos estabelecimentos, é ainda preciso tempo para fazer a mudança, instalar cozinhas e todo o equipamento necessário ao funcionamento dos restaurantes, além da renovação da licença, contam.
O receio é que a 31 de Março aconteça o que aconteceu no final de Setembro, quando a ASAE lhe fechou as portas porque a licença tinha terminado.
"Tínhamos a garantia verbal de que isso não ia acontecer, mas mesmo assim a ASAE actuou", lamenta.
De acordo com o seu advogado, este alegado "mal-entendido" provocou prejuízos que se arrastam:" Ainda hoje há pessoas que pensam que o Barbas está fechado".
"Não tenho sítio para ter as coisas, era suposto quando este fechasse ter condições para abrir o novo", refere o "Barbas".
O empresário diz que se for obrigado a fechar três ou quatro meses não tem condições para manter o negócio e os encargos com os empregados.
Ao lado de um dos seus restaurantes, o velho "Primoroso" já foi demolido e ainda não tem a "nova casa" concluída.
Também em funcionamento ainda está o mais antigo dos restaurantes daquela praia - Carolina do Aires, onde os receios dos proprietários são idênticos.
O mar levou a pensão-restaurante inicial, situada em cima da praia, em 1964, estando agora instalado no areal junto à estrada, onde dispõe de parque de estacionamento privado.
"Era areal e construímos às nossas custas o que aqui está. Até pago IMI (Imposto Municipal sobre Imóveis, cobrado aos proprietários)", contou à Lusa José Filipe, que juntamente com o irmão mantém o negócio de família, iniciado pela tia Carolina.
"O nosso alvará é até 30 de Abril e o novo não vai estar pronto a tempo. Nem este nem nenhum", considera, olhando para a nova estrutura que o espera e avaliando o ritmo das obras.
Esta questão foi apresentada à Costa Polis pelos representantes dos comerciantes durante uma reunião realizada terça-feira, em que foi pedida uma prorrogação de prazo.
"Tenho 12 empregados, como vai ser?, se não renovarem a licença tenho de fechar", diz, acrescentando que vai ficar com menos condições do que no actual restaurante, repleto de recordações, que se misturam com a história da Costa.
Os empresários consideram que a este ritmo não terão condições para estar a funcionar em pleno durante o Verão e se nas tardes soalheiras de Inverno as esplanadas enchem, o sustento de quem vive da praia é assegurado entre Maio e Setembro.
Menos pessimista está o proprietário do "Café do Mar", Luís Semedo, onde funciona um clube de Surf e cuja licença termina a 31 de Maio.
Admite que no dia em que a licença terminar não terá o novo estabelecimento, mas compreende o atraso.
"Estamos dependentes de um ao lado ir abaixo para fazerem o nosso, que por sua vez vai dar lugar a outro aqui", refere.
"É uma obra essencial, que já devia estar feita há 10 anos, tem de haver compreensão, senão não se fazem as obras", defende.
"Tudo à nossa volta melhorou e nós estagnámos", afirma, referindo-se a outros concelhos com praias nas imediações de Lisboa.
Contactado pela Lusa, o presidente da Junta de Freguesia da Costa de Caparica, António Neves - que hoje de manhã teve uma reunião com os representantes da Costa Polis - tudo está acordado com os comerciantes, de acordo com a informação que recebeu desta entidade.
O autarca reconheceu que as novas estruturas não estão prontas, apesar de terem começado as demolições, tanto do lado Norte, como do lado Sul ao longo do paredão.
António Neves avançou que o parque de estacionamento, onde paravam também os autocarros, estará parcialmente operacional no Verão, devido às obras de reformulação que está a sofrer.
Ainda antes do Verão deverá iniciar-se uma nova fase de enchimento artificial das praias, no âmbito do plano de defesa costeira, o que vai implicar vedar ao público uma praia de cada vez para a colocação de um milhão de metros cúbicos de areia, adiantou.
Praticamente concluído, ainda que com atraso na obra, está o Jardim Urbano, a poucos metros da praia e que integra um Centro de Interpretação Ambiental.
Segundo o autarca, falta colocar algumas árvores e arbustos, bem como parte da vedação e construir um campo desportivo multiusos, cujo avanço "está a aguardar uma expropriação", sendo que o restante terreno é propriedade da Junta de Freguesia e do Estado.
As obras para a construção dos apoios de praia e reformulação do parque de estacionamento começaram em Março de 2007, de acordo com a informação publicada nos painéis que identificam a empreitada a cargo da Obrecol - Obras e Construções S.A.
AH.
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