Demora das obras de reparação da ponte do Pinhão motiva protestos
Cerca de meia centena de comerciantes e empresários do Pinhão, em Alijó, Vila Real, impediram esta manhã a circulação rodoviária na ponte metálica, em protesto contra a demora no início das obras de reparação desta infra- estrutura.
O presidente da Junta de Freguesia do Pinhão, Pedro Perry Câmara, referiu que o protesto, que durou cerca de 20 minutos, teve como objectivo mostrar o desagrado da população desta região vinícola relativamente ao atraso no início das obras nesta ponte sobre o rio Douro.
Desde Março que a circulação no tabuleiro da ponte, com 5,9 metros de largura, está a ser feita de forma alternada e está proibida a veículos com altura superior a 2,8 metros e largura superior a 2,4 metros e ainda a veículos com peso total superior a 3,5 toneladas.
Segundo a Estradas de Portugal, estas restrições estão relacionadas com razões de segurança e a realização de obras de reparação e beneficiação da estrutura e tabuleiro desta ponte.
"Só que estas restrições estão também a afectar a vida das populações, comerciantes e empresários e a actividade económica da região", afirmou Pedro Perry Câmara.
O responsável salientou ainda que os numerosos turistas que visitam o Pinhão têm de descer dos autocarros na margem oposta do Douro e atravessar a estrutura a pé.
Também o presidente da Câmara de Alijó, Artur Cascarejo, considera que os condicionalismos nesta infra-estrutura estão a "impedir o normal andamento das actividades económicas na região", já que as empresas vinícolas possuem veículos de grande porte para o transporte de mercadorias que não podem passar na ponte.
Com estas restrições, um camião ou autocarro que queira ir da Régua para o Pinhão, tem que fazer um desvio de mais de 50 quilómetros, por Vila Real e Sabrosa.
"As pessoas têm consciência da perigosidade e da necessidade de obras, mas para além de ter em conta as questões de segurança das pessoas e bens, há que salvaguardar a economia da região e a sua fonte de rendimentos", frisou Artur Cascarejo.
O autarca referiu que esta questão está a ser tratada com a "máxima urgência" na Estradas de Portugal e salientou que, de forma a reduzir o tempo de demora do processo, poderá ser feito um ajuste directo da obra.
Fonte da Estradas de Portugal afirmou à Agência Lusa que as obras deverão ter início até ao final de Maio e que o projecto de beneficiação da infra-estrutura teve de ser sujeito a alguns reajustamentos.
Para Pedro Perry Câmara, a demora no início das obras deve-se "precisamente" ao reajustamento no projecto.
O autarca frisou que, enquanto não começarem as obras, a população do Pinhão vai cortar o trânsito na ponte todos os dias, durante 20 a 30 minutos.
Segundo Artur Cascarejo, os trabalhos vão ter uma duração de cerca de um ano e passam pelo reforço e conservação da estrutura metálica e pela pintura desta obra de arte.
"Apesar dos alicerces e base da ponte estarem seguros, verificou-se uma certa trepidação no tabuleiro, pelo que se concluiu ser necessário proceder a uma intervenção profunda de forma a evitar surpresas no futuro", afirmou.
Em 2001, a ponte do Pinhão foi alvo de uma inspecção subaquática às suas fundações e, em Setembro de 2003, o Instituto de Estradas de Portugal (actual Estradas de Portugal) decretou que os veículos com capacidade superior a oito toneladas só poderiam circular a 10 quilómetros/hora por motivos de segurança.
Os autarcas de Alijó reivindicaram durante anos obras de recuperação e conservação nesta ponte, construída em 1895.