Depois da polémica, manto de silêncio cai sobre "meninas brasileiras"

Ano e meio depois da polémica desencadeada pelas "Mães de Bragança" contra as "meninas brasileiras", que projectou a cidade para a capa da Time, já ninguém quer falar sobre o assunto, remetido agora para os tribunais.

Agência LUSA /

A sentença do primeiro julgamento relacionado com as casas de alterne encerradas este ano é conhecida já na quinta-feira.

No banco dos réus sentam-se o proprietário do bar "Top Model" e a sua companheira, uma jovem brasileira, acusados de 112 crimes, 51 dos quais de lenocínio (fomento à prostituição).

O julgamento do caso de outro estabelecimento, o "NickHavana", já esteve marcado para 21 de Outubro, mas foi adiado por impedimento de dois juízes e um advogado.

A par destes julgamentos, algum incómodo entre a população e olhares desconfiados ao sotaque brasileiro, foi aparentemente tudo o que restou de meses de acesa discussão sobre a prostituição na cidade.

As principais casas de alterne foram encerradas pelas autoridades, as "meninas" são menos visíveis, as "mães de Bragança" nem querem ouvir falar no assunto e aqueles que procuravam estes estabelecimentos não deixaram de ter alternativas, regressando nomeadamente a antigos destinos no outro lado da fronteira.

"Cansaço" com a polémica que atingiu proporções que nem as próprias suspeitavam, é o que revelam actualmente as quatro "Mães de Bragança" que, em Abril de 2003, deram conta à Lusa de um abaixo- assinado que puseram a correr pela cidade contra a prática da prostituição.

O documento foi entregue a diversas entidades locais, designadamente à Câmara, Governo Civil e Polícia, e teve eco além fronteiras.

A revista norte-americana Time fez do tema capa de uma das suas edições europeias de Outubro de 2003, classificando Bragança como o "novo bairro vermelho da Europa".

Várias entidades locais reagiram considerando a projecção exagerada, mas algum tempo após a publicação uma das maiores rusgas policiais de sempre na região encerrou os três principais estabelecimentos conotados com a actividade.

Nos bares e discotecas conhecidos como ML ou Montelomeu, NickHavana e Top Model, as autoridades detiveram oito pessoas, entre proprietários, gerentes e empregados, e recolheram depoimentos de mulheres brasileiras para memória futura.

O proprietário da ML desapareceu na madrugada da operação, a 15 de Fevereiro, e continua a monte, enquanto que os processos relativos aos outros dois estabelecimentos estão em julgamento no Tribunal de Bragança.

Mas nem a discussão nos tribunais fez com que o assunto voltasse, sequer a ser tema de conversa na cidade.

Entre a população é visível apenas algum incómodo com o motivo que projectou a cidade além fronteiras "pelas piores razões".

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