Depois de urgências encerrarem durante a noite, situação foi normalizada no hospital de Leiria

A situação no serviço de Urgência Geral do Hospital de Santo André, em Leiria, onde o acesso esteve limitado desde as 22h00 de terça-feira até às 08h00 desta quarta-feira, já está normalizada, informou o Centro Hospitalar de Leiria (CHL). A falta de médicos obrigou a encerrar a urgência do hospital durante a noite.

RTP /
Lusa

"A situação está normalizada e sem ocorrências durante a noite", disse à agência Lusa fonte do CHL.

Na terça-feira, o CHL, de que faz parte o hospital de Leiria, anunciou que o acesso ao serviço de Urgência Geral do Hospital de Santo André iria estar limitado naquele horário e admitiu "o possível reencaminhamento de alguns doentes para as Urgências do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra". Segundo o CHL, esta situação deveu-se "a três razões essenciais", como o facto de "continuarem a acorrer ao CHL muitas falsas urgências".

A medida foi também justificada por as "Urgências da ADR [Área Dedicada para Doentes Respiratórios] do Hospital das Caldas da Rainha do Centro Hospitalar do Oeste terem encerrado" na segunda-feira e "estarem a ser reencaminhados doentes" para o hospital de Leiria.

Outra razão prendeu-se com o facto de ainda na segunda-feira "se ter registado o recorde desde 1 de janeiro deste ano do número de doentes atendidos no Serviço de Urgência Geral" do Hospital de Santo André "de 404 doentes, sem que tenha sido possível, não obstante todos os esforços, alocar reforços médicos necessários para uma resposta compatível".

A situação foi já criticada pela Ordem dos Médicos, que a considera insustentável, responsabilizando o Ministério da Saúde, que terá sido avisado atempadamente. A secção regional do Centro da Ordem dos Médicos alertou, já no inicio do mês, para a "situação grave" do hospital de Leiria, devido à falta de médicos no Serviço de Urgência, e pediu ao Ministério da Saúde a "resolução imediata do problema".

O presidente do Conselho Regional do Centro da Ordem dos Médicos culpa ainda a tutela por nada ter feito para resolver a falta de médicos, admitindo que a situação se possa repetir.

Já o Sindicato Independente dos Médicos lamentou que "continuem sem resposta os alertas que repetidamente tem feito sobre a situação no Centro Hospitalar de Leiria".

O presidente do SIM considera que o fecho temporário da urgência do Hospital de Leiria é um exemplo do desinvestimento no Serviço Nacional de Saúde.
Para Roque da Cunha, o que está previsto no Orçamento do Estado não chega para resolver os problemas na saúde e explicou o que falta, esta manhã, no Bom dia Portugal.

O Centro Hospitalar de Leiria alega, por seu lado, que para esta situação contribuem também as falsas urgências, que na terça-feira, às 17 horas, eram 70 por cento dos casos dos doentes em espera.

No comunicado, o CHL reiterou o apelo para que os utentes se dirijam "ao Serviço de Urgência apenas em casos mesmo urgentes".

No dia 1 de outubro, o CHL confirmou que "não foi possível preencher a escala de urgência de Ortopedia entre as 09h00 e as 20h00".

"Estão ortopedistas a trabalhar no hospital no internamento para apoio aos doentes internados. O pequeno e grande trauma são encaminhados para outras unidades de saúde da região e o CHL está, inclusivamente, articulado com o seu hospital de referência, o Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra", explicou então o CHL, esclarecendo que esta situação foi comunicada ao Instituto Nacional de Emergência Médica e ao Centro de Orientação de Doentes Urgentes.Ministério da Saúde afirma pagar mais a médicos nas urgências em Leiria
O Ministério da Saúde já reagiu e afirmou que vai pagar mais aos médicos do hospital de Leiria que aceitem fazer horas extraordinárias na urgência. A revelação foi feita pelo presidente da Câmara de Leiria à Antena 1, esta quarta-feira.

O autarca confirmou que já debateu o assunto, esta quarta-feira de manhã, com o gabinete de Marta Temido. Gonçalo Lopes adiantou ainda que esta é a solução para o imediato dada a falta de profissionais no Centro Hospitalar e que levou ao fecho do serviço de urgências esta noite.

Mas é preciso uma resposta definitiva, até porque no inverno a situação pode piorar.

No passado dia 17 de setembro, o CHL anunciou o aumento do valor a pagar aos médicos generalistas para exercício de funções no serviço de Urgência Geral do hospital de Leiria, uma das medidas para "resolver as dificuldades sentidas" neste serviço que "tem registado uma forte afluência de utentes". O CHL considerava que este excesso de procura refletia a falta de resposta dos centros de saúde da região e o aumento do número de casos covid-19 na sua área de influência.

Salientando que "a ausência de alternativas para os utentes tem condicionado o funcionamento" da Urgência, o CHL reconheceu que a esta situação se soma "a efetiva e conhecida situação de escassez de recursos humanos e, em particular, de pessoal médico".

"No concurso para médicos de várias especialidades, lançado em julho, para 36 vagas, até agora só foi possível ocupar 19 vagas", lembrou naquela data o CHL, sustentando que à "dificuldade assumida das empresas externas em contratar médicos generalistas" para esta Urgência acrescia "o cansaço manifestado pelos internistas, cirurgiões e ortopedistas que, a par dos generalistas, asseguram" aquele serviço 24 sobre 24 horas, em regime presencial, todo o ano.


c/ Lusa

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