Deslocalização de prisão de Pinheiro da Cruz dentro do concelho de Grândola é "vitória"

Grândola, Setúbal, 15 Jan (Lusa) - O presidente da autarquia de Grândola, Carlos Beato, congratulou-se hoje com a decisão do Governo de deslocalizar a prisão de Pinheiro da Cruz para outra zona do concelho, o que considera ser uma "vitória" para o município.

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"Ganhei esta batalha, que não foi fácil. Encaro isto como uma das grandes vitórias do meu mandato. A câmara fica satisfeita e considera ser a melhor solução para todos", declarou à Lusa o autarca (PS).

A deslocalização do Estabelecimento Prisional (EP) de Pinheiro da Cruz foi determinada pelo Governo em 2006, embora só agora tenha ficado decidido que a nova prisão será edificada na zona interior do mesmo concelho.

Para o efeito, o Orçamento de Estado para 2008 contempla uma verba de 50 mil euros para a construção do novo equipamento, cujo investimento total está estimado em 50 milhões de euros.

A decisão vai ao encontro do desejo de Carlos Beato, que sempre defendeu a mudança de local da prisão para fora da faixa litoral, zona onde estão a ser construídos diversos empreendimentos turísticos.

O EP situa-se actualmente numa área de 1.500 hectares com três quilómetros de frente marítima.

No futuro, "previsivelmente em 2010", os cerca de 700 reclusos e 240 funcionários poderão passar para uma das novas localizações propostas pelo município: Canal Caveira, Água Derramada, São Francisco da Serra ou recta de Alcácer do Sal.

"A câmara indicou os sítios que considera serem adequados a essa situação e aguarda agora pela decisão do Governo, que tem previstos este ano 2 milhões de euros para efectuar o estudo", referiu o autarca.

Para Carlos Beato, "o local mais adequado" para este efeito é junto à localidade de Canal Caveira, uma zona próxima da A2 e do IC1.

O representante do município destacou no processo a garantia de que o EP continuará a funcionar no mesmo concelho, "onde residem a maioria dos seus trabalhadores".

"A prisão já faz parte da história e da memória do município e emprega inúmeras famílias de Grândola e dos concelhos limítrofes", realçou.

Carlos Beato defendeu ainda que "não faria sentido que o Estado utilizasse a venda dos terrenos de Pinheiro da Cruz para financiar a construção da prisão noutro concelho".

O desmantelamento do EP e consequente desocupação da área já suscitou entretanto a manifestação de interesses por parte de vários investidores, revelou o autarca.

"É um dos `fillet mignon` da nossa costa e é óbvio que todos os grandes grupos portugueses e alguns estrangeiros estão interessados, mas o município não viabilizará nada que não vá ao encontro dos índices autorizados para os outros empreendimentos", frisou.

O presidente do município pugna pela utilização de Pinheiro da Cruz para "funções públicas" e sugere a implantação no local de um Museu da Liberdade, um Centro de Artesanato, um Pólo Tecnológico ou um Centro de Formação na área do turismo e hotelaria.


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