Destroços do Ferrari que se incendiou após despiste na A4 foram transferidos para instalações da PJ para serem peritados

Porto, 04 Mar (Lusa) - Os destroços do Ferrari que na madrugada de segunda-feira se despistou e incendiou na A4, em Ermesinde, Valongo, conduzido por uma testemunha do processo "Noite Branca", que morreu, foram já transportados para as instalações da PJ do Porto.

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Segundo fonte da Brigada de Trânsito, o que restou da viatura foi inicialmente levado para a Assislongo - assistência a veículos, em Gondomar, onde especialistas da PJ e da BT estiveram durante a manhã de hoje a realizar peritagens.

O carro conduzido pelo comerciante de automóveis Carlos Almeida, que alegadamente era informador da Polícia Judiciária, era um Ferrari 360 Modena, de 2003, que tem um depósito com capacidade para 110 litros de gasolina.

Segundo um técnico da marca italiana, é "perfeitamente natural" que o carro se incendeie, após um despiste violento.

"Uma pinga de óleo quente no catalizador é suficiente para fazer deflagrar chamas", explicou.

Em declarações à Lusa, a mesma fonte frisou que "do ponto de vista teórico, é possível que um despiste seja seguido de um incêndio, principalmente se o veículo circular a alta velocidade".

Também em declarações à Lusa, fonte da BT referiu que o excesso de velocidade e uma fuga de combustível poderão explicar o despiste seguido de incêndio do Ferrari conduzido por Carlos Almeida.

A fonte admitiu, contudo, que "todas as hipóteses estão a ser averiguadas".

"Estão a ser recolhidos indícios e ouvidas eventuais testemunhas para perceber as circunstâncias do acidente", acrescentou a fonte.

O acidente está a ser investigado pela BT em colaboração com a PJ.

A fonte explicou que se forem encontradas provas de que o carro foi mexido ou da presença de resíduos de qualquer substância que possa ter provocado a explosão do veículo, então o caso passa a ser da competência exclusiva da PJ.

Carlos Filipe Almeida foi notícia em Dezembro de 2007, altura em que o Tribunal de Instrução Criminal do Porto decretou a prisão preventiva para o alegado líder do gangue da Ribeira, Bruno Pidá, e mais três detidos no âmbito da Operação Noite Branca.

Na altura, a companheira de Bruno Pidá, Telma Sequeira, acusou "um inspector da PJ", que nomeou, de ter tentado "forjar provas" contra Pidá.

Telma Sequeira disse que recebera, três meses antes, na caixa do correio, um saco de plástico que tinha um telemóvel, onde encontrou uma mensagem de texto (SMS), que atribuiu a um inspector da PJ que pedia a "uma pessoa chamada Carlos", que disse não conhecer, para arranjar "uns chavalos [rapazes] de Valbom", Gondomar, que testemunhassem contra Bruno Pidá.

O homem a que se referia Telma Sequeira era Carlos Filipe Almeida, dono do stand Finicar, alegado informador da Polícia Judiciária e a pessoa que morreu carbonizada segunda-feira ao volante de um Ferrari, na A4.

Fonte do Instituto de Medicina Legal do Porto disse hoje à Lusa que o cadáver ainda se encontra nas suas instalações, remetendo para mais tarde informações relativas a data da sua libertação para as respectivas exéquias fúnebres.

PM/JGJ.


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