Detenção não significa absolutamente nada - advogado de Dantas da Cunha
Londres, 08 Jul (Lusa) - O advogado de Dantas da Cunha afirmou hoje à Lusa que a detenção de Vale e Azevedo, hoje em Londres, "não significada absolutamente nada", lembrando que há uma série de acções processuais que ainda têm de ser cumpridas.
O antigo presidente do Benfica Vale e Azevedo foi hoje de manhã detido na esquadra de Belgravia, em Londres, em cumprimento do mandado de detenção europeu, disse à agência Lusa um porta-voz da política britânica.
"Esta detenção na significa absolutamente nada, há uma série de demarches processuais que têm de ser cumpridas, nomeadamente recursos, impugnações e outros direitos que Vale e Azevedo pode exercer em Inglaterra. Vamos aguardar", disse à Lusa António Pragal Colaço, advogado do empresário Dantas da Cunha, para quem Vale e Azevedo perdeu um processo crime por burla.
Na opinião do advogado, "o poder de entregar Vale e Azevedo às autoridades portugueses continua a ser das instituições inglesas".
Vale e Azevedo será ainda hoje presente ao tribunal de Westminster.
"O juiz pode decidir que ele tem de ser entregue às autoridades portuguesas, pode considerar que existe alguma ilegalidade ou não cumprimento (no mandado) e manda-o em liberdade", explicou.
Pragal Colaço lembrou ainda que, em caso de recurso da decisão do juiz de Westminster, este "sobe primeiro para a Câmara dos Lordes e tem efeitos suspensivos".
O antigo presidente "encarnado" apresentou-se hoje na esquadra londrina "a uma hora combinada", tendo comparecido ao mesmo tempo "os elementos policiais da divisão de extradição na sequência do mandado de detenção europeu por fraude", explicou o porta-voz da Scotland Yard à Lusa.
João Vale e Azevedo foi condenado a uma pena de prisão de sete anos e meio por um crime de falsificação e um crime de burla qualificada relacionado com a adulteração de procurações para obter, à revelia e sem autorização de Pedro Dantas da Cunha, poderes para hipotecar, em 1997, um imóvel localizado no Areeiro, em Lisboa, como garantia de um empréstimo no valor de 1,5 milhões de contos, contraído junto da Caixa Geral de Depósitos.
CC/BM.