Detido suspeito de incendiar prédio em Paços de Ferreira que provocou 111 desalojados
A Polícia Judiciária (PJ) deteve o alegado autor do incêndio que deflagrou, a 07 de janeiro, numa garagem de um prédio residencial em Paços de Ferreira, provocando 111 desalojados e a destruição de cerca de 30 viaturas.
Em comunicado hoje divulgado, a PJ conta que "identificou e deteve um homem, de 64 anos, fortemente indiciado pela autoria de um incêndio ocorrido no interior de uma garagem de um prédio residencial, em Paços de Ferreira, que provocou a destruição de cerca de três dezenas de viaturas e danificou um prédio residencial, provocando 111 desalojados".
"No prédio residia a filha do suspeito, que acolheu a mãe, em virtude de esta ser vítima de violência doméstica. Por não aceitar a saída da mulher da casa de família, o suspeito, num quadro de desequilíbrio, dirigiu-se ao prédio e com recurso a um isqueiro e acelerante de combustão terá provocado o incêndio", explica esta força de investigação criminal.
O homem, residente na área e sem antecedentes criminais, foi presente a primeiro interrogatório judicial, no qual lhe foi aplicada a medida de coação mais gravosa: a prisão preventiva.
Segundo a PJ, "face aos graves danos provocados pelo incêndio, ainda não estão reunidas as condições de segurança para o regresso dos moradores às suas habitações", estimando que os danos, "ainda não contabilizados na totalidade, ascenderão a várias centenas de milhares de euros".
Na quarta-feira, uma das gestoras do condomínio do prédio afetado indicou não haver ainda data para o regresso dos 111 moradores que ficaram desalojados na sequência do incêndio no edifício de dois blocos de apartamentos.
"A situação é muito complicada. A laje ficou com danos. Não significa que vai desmoronar a qualquer momento, mas ainda não é possível regressar ao prédio", explicou à agência Lusa Marta Nunes, uma das responsáveis do Condomínio Ideal.
Sem adiantar datas para obras e para o regresso ao prédio, a responsável acrescentou nesse dia que os moradores apenas têm entrado "esporadicamente para ir buscar bens essenciais", e "nem os carros podem ser retirados".
"Estamos dependentes de muitas coisas. Isto envolve muitos seguros e a investigação decorre com a Polícia Judiciária. Ainda não temos relatório, por isso não se pode tirar de lá os carros", descreveu esta responsável.
O incêndio deflagrou às 22:46 do dia 07 de janeiro numa garagem de dois blocos de apartamentos na Rua Nova Urbanização de Sistelo, na freguesia de Paços de Ferreira, distrito do Porto, fez 111 desalojados, queimou 33 carros e três motas.
Quando os bombeiros chegaram ao local, a garagem estava fechada, com uma carga térmica muito elevada, fumos negros, o que obrigou bombeiros a destruir uma parede noutra extremidade para poder entrar.
Sem registo de feridos graves, uma criança e dois adultos foram assistidos no local por inalação de fumos.