Dez dos 22 arguidos de gang do Minho negam em Tribunal prática de crimes
Dez dos 22 arguidos do gang do Minho que hoje começaram a ser julgados no Tribunal de Barcelos negaram a autoria dos crimes de que são acusados, que vão de assaltos a lojas a roubo de carros.
O julgamento - que está a decorrer no salão dos Bombeiros Voluntários locais sob forte segurança policial - começou ao final da manhã, depois de verificada a ausência de dois arguidos, tendo o Tribunal emitido os correspondentes mandados de detenção.
A audiência iniciou-se com a audição de um dos principais arguidos, Miguel - antigo dono de uma casa de alterne em Braga - que negou ter participado em qualquer dos assaltos que lhe são imputados.
Disse que apenas havia decidido participar num assalto a uma ourivesaria, mas garantiu que, ao chegar ao local, "não teve coragem para o fazer".
à tarde, o colectivo de juízes inquiriu nove outros arguidos, os quais garantiram "nada ter a ver" com os factos constantes da acusação.
Um dos arguidos, questionado sobre o roubo de duas viaturas de que é acusado, afirmou nunca as ter visto e desconhecer os alegados cúmplices.
Um outro referiu que nunca impediu a passagem do carro de um comerciante de ourivesaria em Vieira do Minho, o qual foi vítima de assalto depois de ter sido forçado a parar: "apercebi-me de que alguém queria ultrapassar e deixei", declarou, refutando a acusação.
Um dos últimos a ser ouvido, refutou, também, a acusação de receptação de armas furtadas, dizendo que, as que a Polícia Judiciária de Braga encontrou em sua casa "eram de um genro e estavam legais", e acusando a Polícia de "abuso de poder" ao apreendê-las.
Todos os depoimentos tiveram, ainda, como fio condutor comum, a tese do desconhecimento mútuo entre os arguidos, de forma a contrariar a acusação de associação criminosa.
O julgamento prossegue na terça-feira de manhã.
O gang do Minho inclui 22 arguidos - dois dos quais estão em prisão preventiva - acusados de terem realizado, em 2003 e 2004, assaltos à mão armada em 17 concelhos.
Segundo a acusação, os arguidos, na sua maioria com menos de 25 anos - detidos em Braga, Vila Verde, Póvoa de Lanhoso, Famalicão e Trofa - respondem por 68 crimes, alegadamente confirmados por 150 testemunhas de acusação.
Segundo a acusação, o grupo usava caçadeiras de canos serrados e actuava com a cabeça escondida num capuz.
O bando não se coibia de recorrer à violência, tendo disparado contra elementos da GNR ou a PSP.
A PJ considera que o grupo é responsável por 95 por cento dos assaltos realizados a ourivesarias, lojas de telemóveis, de informática e de ferramentas daquela região.
Os arguidos estão indiciados por vários crimes de roubo e de resistência à autoridade, com tentativa de homicídio.