Dez meses de prisão, com pena suspensa, por atropelamento mortal em Matosinhos

Matosinhos, 25 out (Lusa) - O Tribunal de Matosinhos condenou hoje a dez meses de prisão, com pena suspensa, a condutora que, em 2012, atropelou mortalmente uma septuagenária numa passadeira em frente ao Hospital de Pedro Hispano, naquele concelho.

Lusa /

A arguida, uma estudante que à data dos factos tinha 27 anos, foi ainda condenada à pena acessória de proibição de conduzir durante seis meses.

"O tribunal apenas deu como não provada a negligência grosseira" da condutora na situação em que se deu o acidente mortal, referiu o juiz que leu a sentença.

O acidente ocorreu a 03 de setembro do ano passado, pouco depois das 17:00, no sentido descendente da rua de Eduardo Torres, e a vítima, de 71 anos, foi colhida em plena passadeira de peões por um veículo que circulava a cerca de 50 quilómetros à hora, tendo sido projetada a uma distância de cerca 12 metros.

A idosa sofreu várias lesões e morreu sete dias depois.

O tribunal considerou tratar-se de um "crime de ofensa graves", mas entendeu também que não houve dolo da condutora e, por isso, concluiu que se tratou de um caso de "negligência simples".

O caso enquadra-se nas "situações típicas dos acidentes rodoviários, que infelizmente em Portugal, são às centenas", assinalou o magistrado.

Ainda assim, o juiz realçou que a arguida revelou "um comportamento censurável, que teve consequências trágicas" para uma mulher, que, muitos anos atrás, ficou sem uma filha, ainda criança, devido também a um atropelamento mortal.

"Não vou recorrer, mas parece-nos que é uma pena leve. Estamos a falar de uma morte", disse à agência Lusa o advogado da família da vítima, Aníbal Pinto.

O advogado acrescentou que a sentença "foi bem fundamentada", sustentando, contudo, que a "pena acessória devia ter sido superior".

O advogado de defesa da arguida, Diogo Janeiro, afirmou que "a testemunha e o perito da companhia de seguros mencionaram, em tribunal, que a senhora atravessou a passadeira em passo apressado, sem olhar para a esquerda e com o sinal vermelho", algo que, alegadamente, o tribunal ignorou.

O mesmo advogado acrescentou que "vai analisar" a sentença que hoje foi proferida para então decidir se avança com um recurso.

 

 

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