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Dezenas de passageiros aguardavam numa extensa fila informação sobre voos a partir do Porto

Dezenas de passageiros aguardavam numa extensa fila informação sobre voos a partir do Porto

Uma fila com várias dezenas de pessoas ocupava hoje, ao início da manhã, o piso de embarque do Aeroporto do Porto, com a maioria dos cidadãos indignados pela falta de informação relativamente à greve dos pilotos de aviação civil que lhes cancelou os voos.

© 2007 LUSA - Agência de Notícias de Portugal, S.A. /

"Não têm direito dos consumidores aqui?" questionava uma brasileira, visivelmente irritada por não conseguir embarcar, rumo a Brasília, no voo das 07:35.

Depois de várias horas à espera de uma solução, Sueli Brasil não escondia a sua indignação e má vontade com a companhia aérea portuguesa que já lhe tinha perdido as malas em Agosto.

Já com uma solução para o seu caso, com partida às 18:00 para Lisboa e depois às 20:00 para Brasília, a cidadã brasileira insistia que continuava decepcionada pela "falta de respeito" da TAP para com os clientes.

"A decepção não vai passar, porque vou perder a ligação Brasília/Rondonia e a TAP já disse que não se responsabiliza", lamentou Sueli, ironizando: "responsável sou eu que comprei o bilhete pela TAP".

Mais compreensivos Leila e o marido, que embarcam ao final do dia, de Lisboa para Brasília, consideraram o atendimento "satisfatório".

À porta do autocarro disponibilizado pela TAP para transportar alguns passageiros do Porto até Lisboa, Leila contou à Lusa que passou os últimos dias, de um período de férias em Ponte de Lima, depois de um périplo por várias cidades europeias.

"Não é a melhor maneira de terminar as férias, mas o atendimento foi satisfatório", admitiu.

Na mesma situação encontrava-se Jilson, que após quatro horas à espera de uma solução, considerou que "os imprevistos acontecem" e que, neste caso, a companhia aérea portuguesa "não podia fazer muito mais".

Menos convencido estava Renato Pombo que deveria embarcar para Genéve, Suíça, às 07:45, um horário que lhe permitia chegar a horas ao seu trabalho.

Renato Pombo é professor de Português em Lausane e deveria iniciar as aulas às 16:00.

"Vou ter que faltar, porque o voo que me arranjaram só sai às 19:45", disse.

No mesmo voo deverá embarcar João Paulo, a mulher (grávida de seis meses) e a filha Luna, de 18 meses.

"Não sei o que vamos fazer, porque como não estava à espera disto só trouxe um biberão de leite para a minha filha. Os funcionários da TAP disseram-nos que não asseguravam nem comida, nem dormida", lamentou João Paulo.

Nas informações, "disseram à minha mulher que a responsabilidade é do sindicato dos pilotos", acrescentou.

"Isto é uma pouca-vergonha, vamos ficar aqui um dia inteiro dentro do aeroporto, sem condições", afirmou João Paulo.

Duas turistas inglesas, que deveriam embarcar no primeiro voo para Londres, vão ter também que aguardar até às 18:45.

"Acho que deveriam ter avisado as pessoas de que ia haver greve em Portugal. Se tivessem avisado, provavelmente não teríamos vindo nesta altura", disseram as cidadãs inglesas, explicando que vieram a Portugal por uns dias e que têm de voltar hoje, por causa dos animais que têm em casa.

Com os planos alterados ficou também Francisco Pedrosa que vai em turismo para Roma.

Este jovem admitiu que sabia da greve, mas como tinha bilhete para hoje achou que devia tentar partir.

A greve, convocada pelo Sindicato Nacional dos Pilotos da Aviação Civil (SPAC), em protesto contra o aumento da idade da reforma para os 65 anos e pela alteração do valor das pensões, decorre hoje, quinta-feira e sábado, e novamente a 05, 07 e 09 de Novembro.

Hoje, a 27 de Outubro e 05 e 09 de Novembro a paralisação terá início às 04:00 e terminará as 17:00, enquanto nos dias 25 de Outubro e 07 de Novembro, as paragens serão entre as 00:00 e as 24:00.

O SPAC garantiu, durante os seis dias de greve anunciados, todos os voos de regresso a Portugal previamente publicados em escala, mas muitos passageiros deverão mesmo assim ser afectados.

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