Dezenas de pessoas esperam várias horas por bilhetes para o Campo Pequeno
Dezenas de adeptos das touradas esperaram hoje várias horas para comprar bilhetes para a corrida de reabertura da praça de touros do Campo Pequeno, quinta-feira, em Lisboa, mas a organização justifica com a "grande procura" do público.
Ao início da tarde, a fila para as bilheteiras estendia-se até perto da Avenida da República, onde mais de uma centena de aficionados de todas as idades aguardavam desde a manhã para comprar entradas para a primeira corrida de touros após a reabertura da praça, encerrada há seis anos para obras de reabilitação.
Nas bilheteiras, como constatou a Lusa, estavam, cerca das 15:00, duas pessoas a atender, e, uma hora mais tarde, apenas um funcionário respondia aos pedidos dos aficionados.
Segundo Goes Ferreira, o vice-presidente da Sociedade de Renovação Urbana do Campo Pequeno, responsável pela reabilitação da praça de touros, a situação deve-se ao "muito interesse dos aficionados".
Goes Ferreira garantiu que estarão esgotados ainda hoje os 7.000 bilhetes colocados à venda de manhã nas bilheteiras do Campo Pequeno, nas lojas FNAC, na ABEP, Ticketline e em 80 lojas da Agência Abreu.
"O atendimento da bilheteira é do piorio. Nunca vi bandalheira pior que esta", criticava, ao fim de mais de seis horas de espera, João Ferro, com 83 anos e que disse assistir a touradas "há 73".
Bem mais jovens do que este aficionado, quatro estudantes do Alentejo, de entre 18 e 20 anos, esperavam também há mais de quatro horas para comprar os 16 bilhetes encomendados pela família e amigos.
"Isto está muito, muito mal organizado", queixava-se Francisco Correia, que, apesar de ter apenas 18 anos, diz lembrar-se de assistir a corridas de touros naquele local, ao contrário da sua amiga, Inês Gomes, que só se lembra de ali assistir a espectáculos de circo.
Com 25 anos, Ana Esteves esperou seis horas para repetir a tradição que tinha de assistir "sempre" às corridas de quinta-feira à noite.
"Isto é brincar com as pessoas. Não se admite em lado nenhum.
Se não têm condições, não abrem", indignava-se hoje um "aficionado", junto às bilheteiras da praça de touros, afirmando estar a aguardar há mais de quatro horas para comprar entradas.
Para Miguel Pimentel, 50 anos, a demora no atendimento é "perfeitamente injustificável" e revela "alguma desorganização", mas o "aficionado" aplaude a reabilitação do espaço, que passará a ter uma cobertura amovível, podendo acolher também concertos e ópera, além de galerias comerciais e parque de estacionamento subterrâneo.
"A praça não perde a característica. A recuperação é um investimento brutal. A época de touros é pequena e a praça ficava morta metade do ano", afirmou, em declarações aos jornalistas, enquanto aguardava na fila há quase quatro horas.
Opinião semelhante tem Manuel Carola, 50 anos, que defende que o espaço "não podia funcionar só como praça de touros".
Em situação pior estava Ribeiro da Costa, 64 anos, que aguardava há mais de hora e meia para comprar bilhetes para outras pessoas, já que diz preferir touradas "à espanhola" e não a clássica corrida "à portuguesa" que vai marcar a reabertura do espaço na quinta- feira.
Em declarações à Lusa, Goes Ferreira negou que haja desorganização ou problemas logísticos na venda de bilhetes, mas atribuiu a demora das filas a "uma loucura" por parte dos aficionados.
"Normalmente, os bilhetes para as corridas de quinta-feira iam- se vendendo devagarinho, ao longo dos dias. Neste caso, as pessoas vieram, com muito interesse e com medo" que a lotação da praça esgotasse, sublinhou o responsável.
Afirmando-se "contente" com a adesão do público, Goes Ferreira justificou a "afluência anormal" com o facto "de a praça ter estado fechada sete anos" e com os "cartéis excepcionais".
A praça de touros do Campo Pequeno reabre ao público terça- feira à noite com um espectáculo de Filipe La Féria que pretende mostrar a "multifuncionalidade", com referências à ópera, música rock, desporto, circo e cinema, além de exibições equestres.
Na manhã seguinte abre ao público a galeria comercial, apesar de os cinemas só começarem a funcionar em Julho.
A tourada inaugural da praça de touros está marcada para quinta-feira à noite, numa iniciativa que, "por respeito à história do monumento e aos aficionados das artes tauromáquicas", será uma "corrida à portuguesa", só com lide a cavalo, forcados e pegas, com a participação dos "três melhores cavaleiros portugueses: João Moura, António Ribeiro Telles e Rui Fernandes", afirmam os promotores.
Com o objectivo de relançar as "grandes nocturnas de quinta- feira", a praça de touros acolhe, no dia 25, uma corrida "mista", com os "matadores" Julián López "El Juli", que Goes Ferreira classifica como "o melhor toureiro do Mundo de lide a pé", e Vítor Mendes, que regressa às lides após se ter retirado, num evento que conta ainda com a presença de Pablo Hermoso de Mendoza, "o melhor cavaleiro do Mundo".