DGS monta “dispositivo de coordenação” para enfrentar vírus do ébola

Portugal criou um "dispositivo de coordenação" que está em alerta e "mobilizará e ativará recursos que sejam adequados a cada situação" de infeção pelo vírus do ébola que venha a ser identificada. O anúncio foi feito pela Direção Geral da Saúde (DGS) através de um comunicado colocado no site do organismo, na sequência do estado de emergência de âmbito internacional decretado pela Organização Mundial e Saúde (OMS).

RTP /
Cynthia Goldsmith/CDC, Reuters

O vírus do ébola transmite-se por contacto direto com o sangue, líquidos ou tecidos de pessoas ou animais infetados.

Desde março, esta epidemia - a pior nas quatro décadas conhecidas do vírus - já matou 961 pessoas e infetou mais de 1.700.
A DGS explica que “a Linha de Saúde 24 (808 24 24 24) está preparada para responder, aconselhar e encaminhar situações que careçam de esclarecimentos complementares ou encaminhamento específico”.

No comunicado da DGS é ainda referido que “não se verificou nenhum caso de doença por vírus Ébola em Portugal, importado ou autóctone”. Por outro lado, explica o organismo, “o risco de contágio interpessoal é baixo na ausência de contacto direto com fluídos corporais”.

“Os serviços da DGS estão em contacto permanente com estruturas homólogas de outros países da União Europeia e da OMS (..) nomeadamente com o European Centre for Disease Prevention and Control (ECDC), em Estocolmo”, pode ler-se no comunicado libertado esta tarde pela DGS.

Acrescenta o documento que “um dispositivo de coordenação foi criado expressamente para o efeito em Portugal, que se mantem em alerta e, se necessário, mobilizará e ativará recursos que sejam adequados a cada situação que venha a ser identificada. Este dispositivo foi criado no âmbito da Unidade de Apoio à Autoridade de Saúde Nacional e à Gestão de Emergências em Saúde Pública da DGS e integra especialistas internos e de outros organismos”.

DGS sobre as viagens

“Não estão interditadas viagens internacionais para áreas afetadas mas os cidadãos devem ponderar viajar apenas em situações essenciais, tendo em atenção o princípio da precaução [e] os viajantes são também alertados a procurar aconselhamento médico caso se verifique exposição ao vírus ou desenvolvam sintomas de doença”
Todos estes mecanismos estão a ser articulados com “outros parceiros do Sistema de Saúde e outras autoridades, nomeadamente portuárias e aeroportuárias no âmbito da Sanidade Internacional, com particular relevo para a concertação permanente entre a DGS, o Instituto Nacional de Saúde Doutor Ricardo Jorge (INSA) e o INEM”.

Portugal tem entretanto três hospitais de referência para atender eventuais casos de ébola: o Curry Cabral e o Dona Estefânia, em Lisboa, e o São João, no Porto.



Ouvido pela Agência Lusa, Jaime Nina, infeciologista do Instituto de Higiene e Medicina Tropical (IHMT), considera que a emergência de saúde pública decretada pela OMS vai ajudar a combater o Ébola: “É um instrumento importante, pois dá uma alavanca à OMS para tentar forçar as autoridades nacionais a tomar as medidas que ainda não tomaram”.

Para Jaime Nina, a fragilidade do sistema de saúde dos países afetados (Serra Leoa, Libéria e Guiné Conacri), a falta de preparação das pessoas nessas zonas, a permeabilidade das fronteiras e a enorme percentagem de profissionais de saúde infetados - razões avançadas pela OMS para a sua decisão - mais do que justificam a declaração de estado de emergência.

“A partir do momento em que é declarada uma emergência de saúde pública, os países que não acatam as orientações ficam isolados. É uma forma de pressão particularmente eficiente”, explicou.
OMS decreta emergência internacional
Margaret Chan, diretora-geral da OMS, decretou esta sexta-feira o estado de emergência internacional face à evolução desta nova epidemia do ébola durante uma conferência de imprensa em que deixou um pedido à comunidade internacional no sentido de ajudar os países afetados no Continente Africano.

Chan lembrou que Libéria, Serra Leoa, Guiné-Conacri e Nigéria – os países mais atingidos – “não têm como responder sozinhos” à epidemia, pedindo “à comunidade internacional para que forneça o apoio de que necessitam”.
Bruxelas coordena países da União contra o vírus
Da Comissão Europeia chegou entretanto uma mensagem de tranquilidade, no sentido de que é “extremamente baixo” o risco de propagação do ébola na União Europeia. Não obstante, se o vírus tocar solo europeu, a Comissão garante que os 28 estão preparados.

Declarou Tonio Borg, comissário europeu da Saúde: “O risco do ébola nos territórios da UE é extremamente baixo. Tanto porque relativamente poucas pessoas que viajam para a União estarão infetadas com o vírus, quanto pela forma pela qual se dá o contágio: só através de contacto direto com fluídos corporais de um doente com sintomas”.

Acrescentou ainda que a UE tem padrões muito elevados de cuidados médicos e preventivos.
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