Em direto
Os danos e a evolução do estado do tempo

Dia dos Namorados. Quando custa provar que ama alguém?

Dia dos Namorados. Quando custa provar que ama alguém?

Na véspera do Dia dos Namorados, que se assinala no sábado, muitos casais refletem sobre se é o gesto que importa ou o custo que este acarreta.

RTP /
Pedro A. Pina - RTP

Celebrar o amor pode sair caro, especialmente num contexto marcado por inflação elevada e orçamentos apertados.

São inúmeros os setores que lucram com o dia de São Valentim. Empresas de restauração, hotelaria, turismo, floristas, venda de chocolates, perfumes, brinquedos sexuais e fotografias personalizadas estão entre os mais procurados.

No ano passado, vários hotéis registaram taxas de ocupação próximas dos 80 por cento e vendas de flores no Dia Dos Namorados representaram entre dez e 15 por cento da faturação anual dos produtores, segundo o jornal online Eco.O negócio das flores também teve um forte impulso no Dia de São Valentim em 2025, com forte procura por rosas vermelhas, de acordo com uma reportagem da RTP.

Estes números vieram contradizer um relatório do European Consumer Payment Report 2023 (ECPR), divulgado em setembro de 2024, que havia revelado que 74 por cento dos consumidores em Portugal consideravam muito provável gastar menos em despesas do dia-a-dia, o que inclui explicitamente presentes, de forma a gerir o impacto da inflação e das taxas de juro no seu orçamento familiar.Esta percentagem é superior à média europeia, evidenciando que os portugueses sentem particularmente a pressão dos preços elevados.

Os hábitos de consumo em torno do Dia dos Namorados também mostram uma evolução. Um estudo da marca de experiências Odisseias e divulgado em 2024, realizado a 1.150 portugueses, indica que 93 por cento planeiam oferecer presentes no Dia dos Namorados, com o orçamento disponível a rondar entre 50 e 100 euros.As experiências, como viagens ou estadias a dois, são as escolhas mais populares, com 66 por cento, seguidas de almoços ou jantares em restaurantes, com 37 por cento, e atividades de spa, com 36 por cento.


Dados históricos de estudos de mercado revelam que o peso económico desta celebração tem vindo a crescer ao longo dos anos.

O Mastercard Love Index, que analisa transações com cartões de crédito e débito, revelou que, entre 2017 e 2019, os gastos dos portugueses no Dia dos Namorados aumentaram de forma significativa, com foco na partilha de experiências em vez de apenas presentes materiais.Apesar da aposta em experiências, entre 2017 e 2019 os presentes clássicos também registaram subidas significativas. O valor gasto em flores aumentou 97 por cento e em joias cresceu 52 por cento.

O amor não olha a números

Mas afinal provar amor custa cada vez mais? Para muitos portugueses a resposta é afirmativa - não apenas pelo preço de presentes ou refeições, mas também pela pressão social em corresponder às expectativas de uma data que continua a ser, sobretudo, uma expressão cultural do afeto.

Uma alternativa ao consumismo nesta época é oferecer presentes simbólicos. Uma flor em vez de um ramo, um objeto feito manualmente, um quadro pintado à mão, uma mensagem sentida ou apenas um gesto de carinho pode ajudar a poupar alguns euros.

Para especialistas em consumo, a chave poderá estar em repensar a forma como se celebra o Dia dos Namorados, privilegiando gestos e experiências que se ajustem às possibilidades financeiras de cada casal, sem que o valor económico se torne um obstáculo ao significado emocional da data.

Ao longo das décadas, a forma como se vive o amor tem-se transformado, acompanhando mudanças sociais, económicas e culturais. Contudo, estudos na área da psicologia das relações apontam para um denominador comum nas uniões duradouras: a consistência do cuidado quotidiano.Pequenos gestos de atenção, comunicação regular, partilha de responsabilidades e demonstrações frequentes de afeto surgem como fatores associados à satisfação conjugal e à estabilidade a longo prazo.


Mais do que um investimento concentrado uma vez por ano, são os comportamentos repetidos diariamente- a capacidade de ouvir, apoiar e reconhecer o outro - que reforçam o vínculo e sustentam a relação ao longo do tempo.

Num contexto em que o custo da celebração aumenta, recordamos que o valor da relação continua a construir-se, sobretudo, fora das montras e longe das campanhas promocionais.
Tópicos
PUB