Dias Loureiro "espantado" com declarações de António Marta, mantém o que disse na RTP
Lisboa, 22 Nov (Lusa) - O antigo ministro da Administração Interna Dias Loureiro manifestou-se hoje "espantado" com declarações do vice-governador do Banco de Portugal, António Marta, citadas pelo Expresso, sobre uma conversa que tiveram sobre o BPN em 2005.
Segundo o semanário, António Marta afirmou que Dias Loureiro lhe foi perguntar "por que é que o Banco de Portugal andava tão em cima do BPN" e que ele lhe respondeu que "isso tinha que ver com o facto do banco ter uma gestão pouco transparente".
O vice-governador do banco central referiu ainda que o ex-administrador-executivo da Sociedade Lusa de negócios (SLN) teria dito à saída do encontro que as pessoas à frente do BPN "eram tudo boa gente".
Dias Loureiro tem uma versão diferente desse encontro, que hoje reiterou à Lusa: "O que eu lhe fui dizer no dia 19 de Abril de 2005 às quatro da tarde foi exactamente aquilo que disse ontem aos portugueses", garantiu o antigo ministro, numa alusão à entrevista de sexta-feira à noite ao primeiro canal da RTP.
"Disse-lhe que não tinha nenhum facto concreto, mas que estava numa sociedade que tinha um banco e que isso me causava preocupação e que o Banco de Portugal devia estar atento", ao que António Marta lhe respondeu que "se soubesse alguma coisa em concreto e quisesse voltar a falar com ele no Banco de Portugal, privadamente, teria sempre a porta aberta".
"Eu fiquei muito espantado com esta declaração do Dr. António Marta e peço às pessoas que pensem um bocadinho e ponderem se agora, no momento em que o BPN e a SLN estão a ser alvo das maiores suspeitas, alguém de bom senso acha que eu iria invocar uma conversa com o Dr. António Marta se ela tivesse sido aquela que ele disse que foi?", interrogou.
Além disso, disse ainda Dias Loureiro à Lusa, "ninguém sabia na SLN que eu tinha ido ao Banco de Portugal, é a primeira vez que eu digo isto, nunca o disse a ninguém".
"Se o que vem no Expresso e que eu não li ainda é que ele disse que eu fui lá dizer o contrário, que era tudo boa gente, que estivessem sossegados, não tinha sentido nenhum que numa altura destas eu viesse invocar essa conversa", acrescentou.
"O que eu fui lá fazer foi aquilo que eu disse ontem aos portugueses na televisão, é a verdade" concluiu.
CM