"Difícil mas possível" travar abandono do Interior, advoga Associação de Familiares das Vítimas da Tragédia de Entre-os-Rios
A Associação de Familiares das Vítimas da Tragédia de Entre-os-Rios (AFVTE-R) vai evocar domingo o sexto aniversário do colapso da ponte sublinhando a importância da intervenção cívica para travar o "abandono" do Interior do país.
"É difícil, mas possível" que movimentos de cidadãos contribuam decisivamente para o combate às assimetrias, disse o presidente da AFVTE-R, Horácio Moreira, sintetizando o teor de uma intervenção pública que vai proferir nas cerimónias evocativas do colapso da ponte de Entre-os-Rios.
"O fácil era calarmo-nos como aconteceu no Tua. Poucos dias depois do acidente [queda de uma automotora ao rio] já ninguém falava do assunto. Mas vamos continuar", afirmou o dirigente à agência Lusa.
"Se pressionarmos, se fizermos uma intervenção cívica, o poder político fica obrigado a dar respostas", acrescentou Horário Moreira, referindo que foi isso que aconteceu em Castelo de Paiva.
Após a queda da ponte de Entre-os-Rios, que a 04 de Março de 2001 matou 59 pessoas que seguiam num autocarro e em três viaturas ligeiras, o Governo investiu 100 milhões de euros na construção de duas novas travessias sobre o Douro e no lançamento ou reabilitação de várias estradas em Castelo de Paiva.
Horário Moreira admitiu, contudo, que no plano jurídico, houve "imensos bloqueios" que culminaram na absolvição de seis arguidos levados a julgamento e na não responsabilização criminal do Estado.
"Mas, também aqui, fomos até ao limite", disse, referindo que a AFVTE-R secunda o Ministério Público no recurso da sentença que ilibou seis técnicos de pontes e está a ultimar um processo cível contra o Estado.
A evocação do sexto aniversário do colapso da ponte, no domingo, inclui uma missa em memória das vítimas, na Igreja da Raiva, a freguesia mais enlutada pela tragédia.
A colocação de flores na base do monumento "Anjos de Portugal", construído em memória das vítimas, e a atribuição de um galardão aos Bombeiros Voluntários de Castelo de Paiva, que se distinguiram nos trabalhos de resgate de 23 dos 59 corpos, integram também o programa.
Precisamente às 21:10, hora a que seis anos antes ruiu o tabuleiro da ponte, será lançada uma coroa de flores ao rio Douro.
Na segunda-feira, a AFVT-ER inicia as obras de construção de um centro de acolhimento temporário para crianças e jovens, um investimento de 600 mil euros a concluir até ao final deste ano.
A AFVTE-R vai recorrer a apoios empresariais para suportar 10 por cento dos custos, sendo a verba restante assegurada pelo Programa Operacional de Emprego, Formação e Desenvolvimento Social (POEFDS).
O centro de acolhimento temporário vai designar-se "A Ponte", porque, como disse Horário Moreira, pretende que os futuros utilizadores - jovens e crianças em risco - "transponham a margem para a igualdade de direitos e oportunidades".
Os menores a acolher no futuro centro serão preferencialmente dos seis concelhos do Vale do Sousa.