Dificuldades financeiras do MAI não afectam moral da GNR

O comandante-geral da GNR, Mourato Nunes, garantiu hoje que as dificuldades financeiras do Ministério da Administração Interna, que poderão colocar em causa as remunerações nas forças de segurança, "não afectam o moral e a tranquilidade" da corporação.

Agência LUSA /

"As dificuldades financeiras do Ministério da Administração Interna (MAI) não afectam o moral e a tranquilidade dos militares da Guarda Nacional Republicana (GNR), que continuam a cumprir com empenho e convicção a sua missão", disse aos jornalistas o tenente-general Mourato Nunes, em Queluz.

O comandante-geral da GNR falava na Escola Prática da Guarda, à margem de uma cerimónia de imposição de condecorações aos militares da corporação que integraram a missão no Iraque.

Mourato Nunes comentava, questionado pelos jornalistas, uma intervenção quarta-feira passada do ministro de Estado e da Administração Interna, António Costa, na Comissão Parlamentar de Assuntos Constitucionais, Direitos, Liberdades e Garantias, onde deu conta aos deputados de dificuldades financeiras por que atravessa o MAI.

António Costa disse mesmo que essas dificuldades financeiras poderão colocar em causa no final do ano o pagamento dos salários dos profissionais da GNR e da PSP.

Depois de referir que as dificuldades financeiras no MAI "são uma preocupação que existe todos os anos", Mourato Nunes disse que, na sequência da afirmação do ministro António Costa, "ninguém na GNR se lamentou".

"Naturalmente que estamos atentos, mas procuraremos fazer sempre mais e melhor com os mesmos recursos", afirmou também Mourato Nunes, que salientou que "contenção já existe" na instituição.

"O objectivo é orientar os recursos que existem, que são escassos, para o que é prioritário", acrescentou o responsável.

Na cerimónia de imposição de condecorações foram distinguidos os 420 militares que participaram nos quatro contingentes do sub- agrupamento Alfa, que, no seu conjunto, estiveram 15 meses no Iraque, integrados nas forças internacionais de estabilização do país.

Foram condecorados 408 militares, entre os quais cerca de 30 mulheres, e 12 oficiais da GNR, além de dois médicos civis que apoiaram a missão no Iraque.

O Comando-Geral da GNR distinguiu também com insígnias 25 jornalistas que se deslocaram ao Iraque para cobrir as actividades do sub-agrupamento Alfa.

Na cerimónia de "reconhecimento e homenagem" aos 420 militares da GNR, como classificou o comandante-geral, não participou qualquer representante governamental.

"É uma cerimónia interna da GNR", justificou aos jornalistas um porta-voz do Comando-Geral da instituição.

No seu discurso na cerimónia, o tenente-general Mourato Nunes realçou ser com "honra e orgulho" que a GNR homenageou os militares que integraram o sub-agrupamento Alfa, salientando que prestaram "um inestimável contributo para a história recente da GNR".

"Foi a mais arriscada missão a que a GNR foi chamada a cumprir fora de Portugal", frisou, acrescentando que essa missão foi desenvolvida numa "intransigente fidelidade ao humanismo e à liberdade", em apoio de "um povo martirizado" que ansiava e deseja segurança.

Durante os 15 meses em que os militares da GNR estiveram no Iraque, "num teatro de operações altamente crítico", só quatro ficaram feridos e sem gravidade, regressando "todos sãos e salvos", como se congratulou Mourato Nunes.

Mas os portugueses viram tombar, no cumprimento das missões, militares de outras nacionalidades integrados também nas forças internacionais, nomeadamente italianos.

Por isso, num acto simbólico de "respeito e homenagem", o comandante-geral da GNR e o adido de Defesa italiano colocaram uma coroa de flores no "Monumento aos Mortos" existente na Escola Prática da Guarda.

O último contingente do sub-agrupamento Alfa que esteve no Iraque, composto por 127 militares, regressou a Lisboa no dia 10 de Fevereiro passado, 15 meses depois de o primeiro contingente ter chegado ao Iraque, em Novembro de 2003.

Os militares da GNR integraram-se na brigada italiana das forças internacionais, estacionada em Nassiriyah, sul do Iraque, e desenvolveram operações de manutenção de paz.

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