Diminuição do número de católicos é “desafio” para a Igreja

Os Bispos portugueses vão apostar nos portugueses mais jovens e urbanos, para inverter os dados revelados por um estudo da Universidade Católica. O inquérito, que fez uma radiografia da prática religiosa no país, revelou que o número de católicos diminuiu em Portugal de 86,9% para 79,5% nos últimos 12 anos (menos 7,4%), enquanto o número de não crentes e de pessoas sem religião cresceu 6%.

Graça Andrade Ramos, RTP /
O Cardeal Patriarca de Lisboa e presidente da Conferência Episcopal Portuguesa, D. José Policarpo (C), acompanhado por D. Jorge Ortiga (E), pelo Núncio Apostólico, D. Rino Passigato (2-E) e por D. Manuel Clemente (D), durante a Assembleia Plenária da Conferência Episcopal Portuguesa, em Fátima, 18 de abril de 2012. Paulo Cunha/ LUSA

O estudo revelou ainda que os católicos são maioritariamente mulheres e se concentram no norte do país e nas zonas rurais. É igualmente uma população envelhecida em que a maioria dos praticantes regulares tem mais de 45 anos.

Segundo o secretário da Conferência Episcopal Portuguesa, CEP, para a Igreja Católica os resultados são um “desafio que lhe é feito.” Os Bispos terão de “responder com qualidade”, com uma mensagem “sempre renovada", acrescentou o padre Manuel Morujão citado pela Agência Ecclesia.

“As prioridades dessa resposta passam por irmos ter com os jovens, a nova geração, que nos desafia e levar os valores de fé: Jesus Cristo continua a ser atual e os valores do evangelho fomentam qualidade de vida pessoal e social”, prosseguiu o sacerdote, durante uma conferência de imprensa, após a reunião da CEP em Fátima, durante a qual foi apresentado o estudo.
Clima de liberdade
Segundo o padre Manuel Morujão, à Igreja compete “saber ler” os indicadores agora apresentados. Mas os Bispos sublinham que o mais importante não é quantidade mas a qualidade dos católicos.

Para o secretário do episcopado português, "quem é católico é porque o quer, não por pressões familiares, sociais, sociopolíticas". Manuel Morujão sublinhou a importância de um “clima de maior liberdade para que cada um possa tomar as suas opções."

Por outro lado, mesmo entre as pessoas que se identificaram como católicas, tal identidade “não corresponde ao estar presente na missa dominical” para muitas delas, como reconheceu o secretário da CEP.
Influência positiva
O estudo da Universidade Católica comparou os dados agora obtidos com outro inquérito de 1999 e concluiu que desde então e até 2011, a Igreja Católica perdeu cerca de 2 milhões de fiéis.

Apesar da diminuição do número de católicos, a influência da Igreja Católica mantém-se a diversos níveis e é vista como globalmente positiva.

O professor universitário Alfredo Teixeira, responsável do Centro de Estudos de Religiões e Culturas da UCP e coordenador do estudo, observou que uma identificação “mais difusa” com a Igreja Católica não deixa de refletir-se “num conjunto de práticas”.

A Igreja “continua a ser uma instituição de referência clara para compreender o que são os portugueses atualmente”, concluiu.

O inquérito reuniu 4.000 respostas em todo o país, exceto Açores e Madeira, entre portugueses com mais de 15 anos. Foi realizada pelo Centro de Estudos e Sondagens de Opinião e o Centro de Estudos de Religiões e Culturas da UCP entre outubro e novembro de 2011.
PUB