País
Direito à habitação. Tendas de protesto com regresso marcado para Lisboa e Porto
As assembleias populares dos movimentos Acampada de Lisboa e Acampada do Porto aprovaram voltar a montar tendas esta terça-feira, na sequência da decisão judicial que autorizou uma manifestante a permanecer na praça até 24 de novembro.
Foi perto da meia-noite que a assembleia popular da Acampada de Lisboa tomou duas decisões. Por um lado, as tendas serão montadas de novo esta terça-feira, no Rossio, na sequência da decisão judicial que autorizou uma manifestante a permanecer na praça até 24 de novembro.
Por outro lado, o movimento aprovou aceitar o convite do presidente da República para uma reunião. De acordo com a organização da Acampada de Lisboa, no domingo a Casa Civil do Presidente da República endereçou um convite ao movimento.
Com a participação de mais de uma centena de manifestantes, esta assembleia popular (a 17ª) decorreu perante um dispositivo da PSP menos visível do que em noites anteriores.
Jornal da Tarde | 3 de novembro de 2026Várias pessoas que participavam no protesto ofereceram cravos a alguns polícias que os colocam na farda.
Houve ainda, por diversas vezes, buzinões solidários de automobilistas que circulavam no local aos quais os manifestantes respondiam com gritos e aplausos.
Terminada a assembleia popular, os manifestantes começaram a desmobilizar, enquanto eram montadas algumas tendas em nome de Renata Cambra. Esta manifestante foi autorizada pelo Tribunal Administrativo de Lisboa a permanecer de madrugada no Rossio, em Lisboa, com uma tenda.
Segundo a sentença, a que a RTP teve acesso, o protesto poderá manter-se até 24 de novembro de 2026, data prevista para a votação final do Orçamento do Estado para 2027, incluindo entre as 0h30 e as 6h30, e terá de ser articulado com o Mercado de Natal programado para a praça do Rossio.
No Porto, a decisão da assembleia popular também decidiu voltar a “armar as tendas”. De acordo com a Lusa, durante a madrugada foram erguidas 14 tendas e uma casa de papelão, na Praça D. João I. Nas imediações não se via polícia, mas viaturas da Polícia Municipal e da PSP tinham passado pelo local.
Jornal da Tarde | 3 de novembro de 2026
O movimento Acampada do Porto pela habitação denunciou a existência de polícias à paisana a identificar e a deter manifestantes à saída da Praça D. João I.
“Chegaram indicações à organização da acampada de que estavam a ser identificados, ou estava a ser pedida a identificação, e estavam a ser detidas pessoas à saída da Praça de Dom João I e a serem levadas para a esquadra para identificarem pessoas por fotografias”, adiantou um dos advogados que presta apoio jurídico ao movimento.
Para Ricardo Salazar, “se isto está efetivamente a acontecer é um caminho que pode chegar a processos políticos de intenção e perseguições de pessoas, o que é algo que já não acontecia em Portugal desde o Estado Novo”.
c/ Lusa