Diretor financeiro negou obras pela Construbarcelos e direção da PJ decidiu não abrir processo
O diretor financeiro da Polícia Judiciária (PJ) negou a realização de obras na sua casa pela Construbarcelos, depois de confrontado internamente pela direção nacional desta polícia, que, perante o desmentido, não ordenou qualquer processo disciplinar.
"A Polícia Judiciária (PJ) esclarece que, assim que teve nota das notícias sobre esta matéria, na comunicação social, a Direção Nacional desta polícia questionou, imediatamente, o dirigente em causa, que desmentiu, de forma categórica, terem sido realizadas quaisquer obras na sua residência particular com a empresa Construbarcelos", lê-se numa nota da PJ hoje enviada.
Em causa está uma notícia divulgada na quinta-feira pela TVI/CNN e Nascer do Sol, que dava conta de que a empresa do empreiteiro na base da polémica com as obras sem licenciamento na casa de Odemira do anterior diretor nacional, Luís Neves, e também contratado por 17 vezes para obras na PJ, também teria realizado obras na casa do diretor financeiro da polícia criminal, Álvaro Pires.
"Nessa conformidade, e em virtude de a Direção Nacional da Polícia Judiciária não ter qualquer elemento que indicie a realização das referidas obras, não ordenou a abertura de qualquer processo disciplinar relativamente a este dirigente", acrescentou ainda a PJ.
Na mesma nota, a PJ dá ainda conta de ter sido notificada por Álvaro Pires do envio de um texto para exercer direito de resposta à notícia avançada na quinta-feira.
Luís Neves tem estado sob escrutínio por obras numa propriedade em Odemira, no Alentejo, nomeadamente a piscina sem licenciamento, que segundo o ministro foi projetada para ser um tanque, tendo ainda Luís Neves afirmado que desconhecia que o monte se localizava em área de Reserva Agrícola Nacional e Reserva Ecológica Nacional.
As obras foram realizadas pela empresa Construbarcelos, do empreiteiro João Carvalho, a mesma que ganhou 17 concursos para obras na PJ durante os mandatos de Luís Neves, de valor superior a dois milhões de euros.
O dono da Construbarcelos teve na sua posse, por decisão de Luís Neves, um atrelado apreendido num processo relacionado com tráfico de droga, um caso que motivou a abertura de um inquérito.