Discriminação devido à orientação sexual leva jovens a tentar suicídio

A Associação de Jovens Lésbicas, Gays, Bissexuais e Transgéneros (LGBT) alertou hoje que a discriminação de que são alvo os adolescentes por causa da sua orientação sexual conduz muitas vezes a depressões e tentativas de suicídio.

Agência LUSA /

"A discriminação de que estes jovens são alvo e as pressões a que são sujeitos leva muitas vezes à depressão e à ideação ou tentativa de suicídio", contou Sara Martinho, da LGBT.

A responsável referiu que há vários estudos internacionais sobre o assunto, que apontam para a existência de três a quatro vezes mais ideias de suicídio entre jovens com orientação sexual ou identidade de género diferente do que entre os outros.

Além disso, o trabalho que esta associação desenvolve com jovens no terreno "tem permitido demonstrar que muitas vezes a intolerância, a incompreensão, a discriminação e os ataques psicológicos e físicos são tais que estes adolescentes acabam por tentar o suicídio".

Sara Martinho, formada em psicologia, lida com alguns destes casos e referiu a título de exemplo um caso que acompanhou "ainda este fim-de-semana num hospital, de uma pessoa que tentou suicidar-se porque não aguentou a pressão e os ataques dos pais, que se recusavam a aceitar a sua orientação sexual".

Mas a discriminação verifica-se em grande escala nas escolas, quer por parte dos órgãos directivos e corpo docente, quer por parte dos colegas, disse, acrescentando que a associação está por isso a desenvolver um "Projecto Educação LGBT", que consiste na "criação de dois manuais para combater a discriminação".

A associação LGBT, designada normalmente por rede ex-aequo, enviou já para 150 escolas do 3ºciclo e do secundário os dois manuais, um dirigido aos alunos e outro aos professores, com uma abordagem diferente, mais académica e que inclui "dinâmicas que poderão fazer nas aulas", explicou.

Este projecto foi apoiado financeiramente pela Fundação Europeia da Juventude do Conselho da Europa, entre Janeiro e Novembro de 2005, como projecto-piloto.

Os manuais foram elaborados por uma equipa multidisciplinar, que inclui profissionais de diversas áreas, como professores, psicólogos, médicos e sociólogos, disse a responsável.

Para além da distribuição dos manuais, alguns elementos da rede ex-aequo - com 10 grupos espalhados pelo país - estão a desenvolver sessões de esclarecimento em vários estabelecimentos de ensino, uma iniciativa que começou ainda antes da publicação dos manuais.

Sara Martinho afirmou estar a ter um retorno "muito bom desta iniciativa", uma vez que tem tido grande adesão dos jovens, que revelam "muita curiosidade e fazem perguntas muito pertinentes".

A psicóloga adiantou ainda que a associação lançou no início desta semana uma brochura, com cinco mil exemplares, "que não tem a ver com o projecto", mas que visa também esclarecer para combater a discriminação.

Este folheto, que está a ser distribuído em vários pontos como representações do Instituto Português da Juventude, escolas secundárias, universidades e bibliotecas, é dirigido "a jovens com dúvidas".

"Um parte explica o que é ser homossexual, bissexual e transgénero, outra fala especificamente do ser lésbica e gay, tem um capítulo dirigido aos pais e um outro sobre SIDA", especificou.

A rede ex-aequo tem ainda um recém-criado "Observatório de Educação" que visa, através de um formulário na Internet, dar voz e reportar todas as situações de discriminação que tenham ocorrido em estabelecimentos escolares em Portugal.

No final de cada ano lectivo, a rede ex-aequo irá compilar e tratar todas as queixas recebidas e enviá-las ao Ministério da Educação, para que o Estado possa ter consciência da real dimensão dos problemas sofridos por estas pessoas.

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