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Ditadura militar enfrentou anos de "resistência feroz"

Ditadura militar enfrentou anos de "resistência feroz"

O historiador Fernando Rosas defendeu que a I República não foi derrotada em 1926 pela ditadura militar, tendo perdurado uma "resistência feroz" até à instauração do Estado Novo, em 1933.

Agência LUSA /

Segundo Fernando Rosas, "a República não caiu no dia 28 de Maio" de 1926, com a entrada triunfante em Lisboa das tropas do marechal Gomes da Costa, chefe do movimento militar, que eclodiu em Braga e derrubou o Governo de José Maria da Silva. O historiador intervinha em Coimbra, no colóquio "A Revolução de Fevereiro de 1927 contra a ditadura: oitenta anos depois", que assinalou o levantamento m ilitar e popular que deflagrou no Porto, no dia 03 de Fevereiro daquele ano.

Esta insurreição teve como líderes Fernando Freiria, José Domingues dos Sa ntos, Jaime Cortesão, Jaime Morais, Sarmento Pimentel e César de Almeida, entre outros militares e civis.

A confirmação da supremacia de Salazar no poder e a instauração do seu reg ime autoritário, materializado na Constituição de 1933, só foi possível após "a derrota do `reviralhismo` republicano e a desintegração do movimento operário", disse Fernando Rosas.

"O `reviralho` é essa guerra civil intermitente entre 1926 e 1931", ano em que a oposição foi derrotada, precisou, explicando que a resistência à ditadura foi protagonizada "pela esquerda republicana, o bloco social e político do 5 de Outubro" de 1910.

A resistência incluiu sucessivas revoltas militares nas principais cidades de Portugal, como a de 03 e 07 de Fevereiro, no Porto e em Lisboa, e causou cen tenas de mortos, execuções sumárias, milhares de presos e deportados, recordou F ernando Rosas.

Tratou-se de uma "resistência feroz" prolongada, que resultou da "aliança entre a esquerda republicana e o activismo sindical".

Na época, o PCP emergia como organização com influência crescente no movim ento operário, ganhando terreno às correntes anarco-sindicalistas da Confederaçã o Geral do Trabalho (CGT).

"A derrota do `reviralhismo` é a primeira condição de Salazar para subir a o poder, em 1932", segundo Fernando Rosas.

O investigador Augusto Monteiro Valente, major-general na reserva, foi out ros dos oradores do colóquio, organizado pelo Centro de Estudos Interdisciplinar es do Século XX (CEIS XX), na Universidade de Coimbra.

"Tal como o movimento revolucionário de 31 de Janeiro de 1891, a revolução de 03 de Fevereiro de 1927 inscreve-se na história da tradição democrática port uguesa com uma igual força simbólica", disse o militar, lembrando que eles foram "a primeira revolta falhada de aspiração republicana e a última de inspiração r epublicana mais genuínas: o prólogo e o epílogo da República".

No colóquio, intervieram ainda os historiadores Luís Reis Torgal, António Reis, Luís Farinha, Manuela Tavares, Heloísa Paulo e Bigotte Chorão.

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