Dívidas levam ao encerramento de Lar de Barqueiros e ao desalojamento de 12 idosos

Mesão Frio, 25 Jan (Lusa) - Dívidas na ordem dos 500 mil euros da Associação de Barqueiros, em Mesão Frio, levaram hoje ao encerramento do lar de idosos, obrigando os seus 12 utentes a serem reintegrados em outros lares ou entregues a famílias de acolhimento.

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O presidente da Associação de Apoio a Crianças, Jovens e Idosos de Barqueiros, Luís Cortês, revelou hoje que a instituição está a atravessar "uma crise financeira" que levou ao pedido de suspensão dos protocolos de colaboração com o Centro Distrital de Segurança Social de Vila Real (CDSSVR).

Como consequência, a instituição teve que fechar o lar de idosos, que albergava 12 utentes, e cessar o apoio domiciliário prestado a outros 33.

Com um atraso, de seis meses a um ano, estão também os salários dos 11 funcionários da associação, que nasceu no âmbito de um projecto de combate à pobreza naquele concelho.

Reunidos hoje em Barqueiros, os responsáveis pela associação, técnicos da CDSSVR e familiares dos utentes decidiram que os que não possuírem retaguarda familiar serão encaminhados em outros lares de concelhos vizinhos ou entregues a famílias de acolhimento.

Constituída em 1993, a Associação de Barqueiros acumulou, segundo o Luís Cortês, dividas de cerca de 500 mil euros, 100 mil dos quais à Segurança Social.

O responsável disse que a direcção já solicitou a realização de uma assembleia geral com "vista à resolução final" dos problemas da associação, que poderá passar pelo seu encerramento definitivo, ou integração noutra instituição, ou ainda, pela concretização de um "negócio pendente" que poderá dar "viabilidade" ao projecto.

"O projecto está em causa mas não irremediavelmente perdido", salientou Cortês.

Acrescentando que, actualmente, a instituição "não tinha condições para prestar o melhor serviço aos idosos".

Rui Santos, director do CDSSVR, mostrou-se preocupado com os utentes e a situação da associação e disse mesmo que a Segurança Social vai comunicar o caso ao Ministério Público.

"Mais importante do que saber a quem se deve é saber como é que a instituição chegou a este fim. As entidades competentes, nomeadamente o Ministério Público, poderão ter que intervir pois temos grandes dúvidas quanto à forma como a instituição foi gerida ao longo de todos estes anos e se as dívidas se reportam todas ao objecto principal da associação que é a área social", afirmou o responsável.

A 28 de Fevereiro, no Tribunal de Trabalho de Lamego, vai estar em hasta pública a sede da instituição, com uma base de solicitação de 159 mil euros, sendo este o culminar de um processo requerido por uma funcionária por causa de salários em atraso.

Apreensivos com toda aquela situação estavam esta manhã os idosos que viviam no lar de Barqueiros.

"Vivo aqui há dois anos e dois meses e não quero sair daqui. Não quero ir morar para outro local", afirmou António Sequeira, 84 anos.

O octogenário disse ainda ter uma casa naquele concelho mas adiantou não ter condições para viver sozinho.

Em Janeiro do ano passado, dívidas à segurança Social por parte da Associação de Barqueiros impediram o financiamento para a execução do projecto social "Mesão Frio Integra", do qual era a entidade executora e a câmara a promotora.

Por causa dessas dívidas, a Associação de Barqueiros foi substituída naquele projecto pela Santa Casa da Misericórdia de Mesão Frio e foi ainda solicitada uma auditoria às contas do projecto, da qual ainda se aguardam resultados.

Na altura, Luís Cortês era também vereador do pelouro da Acção Social da autarquia de Mesão Frio que, entretanto, lhe foi retirado pelo presidente Marco Teixeira.

PLI.

Lusa/Fim


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