Docentes de escolas básicas de Paço de Arcos em greve duas semanas

Os professores e educadores de infância do agrupamento de escolas de Paço de Arcos, Oeiras, vão fazer greve ao prolongamento do horário no primeiro ciclo do ensino básico a partir do dia 29 e durante duas semanas.

Agência LUSA /

De acordo com o pré-aviso de greve, apresentado pelo Sindicato dos Professores da Grande Lisboa, entre os dias 29 de Novembro e 12 de Dezembro os docentes não vão assegurar o prolongamento do horário nas quatro escolas básicas do agrupamento, entre as 15:15 e as 17:30.

O prolongamento do horário no primeiro ciclo até às 17:30, por um período mínimo de oito horas diárias, é uma das medidas do Ministério da Educação que entrou em vigor este ano lectivo, de forma a ocupar os tempos livres dos alunos com actividades extracurriculares depois do tempo normal de aulas.

Na nota informativa enviada aos pais e encarregados de educação, os docentes queixam-se que, ao assegurarem que as escolas fiquem abertas até mais tarde, estão a "prejudicar o trabalho individual e colectivo" necessário para, por exemplo, preparar aulas e corrigir trabalhos.

Os professores ressalvam que "não põem em causa a função social e pedagógica das actividades" no período de prolongamento, mas defendem que deviam ser desenvolvidas pelas autarquias e associações de pais e executadas por técnicos com formação adequada.

O agrupamento de escolas de Paço de Arcos é composto por quatro escolas básicas, uma das quais com jardim-de-infância, com 76 professores, dos quais 35 asseguram o prolongamento do horário até às 17:30.

Os docentes dizem que "cumprem as ordens recebidas, mas contestam-nas", porque realizam actividades com alunos de escolas nos quais não foram colocados e que não se enquadram na sua especificidade pedagógica.

No pré-aviso de greve, dão conta que a autarquia e associação de pais "não apresentaram até ao momento qualquer projecto para desenvolverem autonomamente ou em parceria qualquer actividade".

Pedro Queiroga, representante dos pais das escolas do agrupamento, afirmou hoje à agência Lusa que os encarregados de educação apresentaram um projecto com actividades lúdico-desportivas para a escola, mas que os professores se recusaram a executá-lo.

"O projecto está nas mãos do agrupamento e envolveria associação, professores e autarquia, com actividades como clubes de informática, de jornalismo, de artes plásticas e desporto", referiu Pedro Queiroga, que afirmou ter sido "apanhado desprevenido" por este pré-aviso de greve.

O responsável culpa os professores por esta situação referindo que os encarregados de educação irão "tomar medidas enérgicas e firmes" para inverter a situação.

"Onde é que os pais vão pôr as crianças depois das 15:15", questionou Pedro Queiroga, revelando que a Direcção Regional de Educação de Lisboa "deu instruções ao agrupamento para recrutar monitores para ajudarem na elaboração de projectos e planos".

Na segunda-feira, os pais dos alunos de uma das escolas do agrupamento, a Escola Básica nº 4 de Paço de Arcos, boicotaram as aulas dos alunos, precisamente para protestar contra o facto dos professores não quererem assegurar o prolongamento do horário escolar.


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