Doença dos Legionários - Presença de bactéria não significa infecção imediata, DGS
A Direcção-Geral da Saúde desdramatizou hoje a presença da bactéria que provoca a doença dos legionários em seis hospitais nacionais, afirmando que "não há uma relação imediata" entre o registo da bactéria e a ocorrência da infecção.
Em declarações à Agência Lusa, o sub-director geral da Saúde, Francisco George, realçou que a colonização de uma fonte de água pela bactéria e a infecção provocada no homem "são duas dimensões muito distintas".
Associação Portuguesa de Defesa do Consumidor (DECO) detectou a presença da bactéria legionnela no circuito de água quente de seis hospitais portugueses, segundo um estudo a publicar na revista Proteste de Junho.
A legionela, que provoca a doença dos legionários, uma infecção que pode ser mortal, foi detectada nos hospitais da Cova da Beira (Covilhã), da Lapa (Porto), Distrital de Faro, Egas Moniz, e nas unidades de Capuchos e São José, que constituem, em conjunto com o hospital do Desterro, o Centro Hospitalar de Lisboa.
Francisco George sublinhou que "não há uma relação de causa/efeito imediata" entre a presença da bactéria a infecção, pois para que esta ocorra é necessário que se produzam aerossóis (gotículas de água) com a bactéria e que estes sejam inalados por "pessoas susceptíveis".
O sub-director geral da Saúde explicou também que os centros regionais de saúde pública e as comissões de controlo de infecção de cada hospital monitorizam periodicamente a presença da bactéria, em hospitais e outros locais públicos, e que até agora nunca ocorreu um caso de doença dos legionários nos hospitais nacionais.
Contactado pela Lusa, o presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar de Lisboa (CHL), Manuel Guimarães da Rocha, adiantou que a visita da DECO às unidades foi realizada a pedido da associação, e depois de autorizada pela administração hospitalar, e que após a detecção da bactéria efectuou-se imediatamente uma desinfecção dos locais críticos.
O responsável do CHL, que integra os hospitais de S. José, Capuchos e Desterro, adiantou que a vigilância à presença da bactéria é realizada a cada seis meses e que até hoje nunca foi registado no CHL qualquer caso de infecção pela doença dos legionários.
A temperatura ideal para a proliferação da legionela situa-se entre os 20 e os 450 graus centígrados (sendo difícil que sobreviva a temperaturas superiores a 700 graus centígrados).
As instalações com água quente, como os reservatórios e as canalizações, são o seu local predilecto, mas toda a rede de água pode ser contaminada.
Os pontos críticos para a presença da bactéria nos hospitais são a rede de água fria e quente (depósitos, chuveiros, torneiras), as torres de arrefecimento e condensadores, o equipamento de climatização, os humidificadores, os equipamentos invasivos, como os aparelhos de aerossol.