Dois anos de pena suspensa para o «Capitão Roby do Minho"

O Tribunal de Braga condenou hoje a dois anos de cadeia, suspensos por três anos, por burla e falsificação de documentos, um homem de Valença, conhecido por «Capitão Roby do Minho».

Agência LUSA /

O arguido, julgado à revelia, foi também condenado a pagar 16 mil euros à vítima, uma mulher com quem se envolvera amorosamente.

O Colectivo de Juízes da Vara Mista deu como provado que o indivíduo se fez passar por médico cardiologista e por filho de uma família abastada para enganar a queixosa extorquindo-lhe 9.450 euros em dinheiro e um Renault Magane, no valor de 27.850 mil euros.

Júlio Manuel Magalhães Costa, 25 anos, residente em S. Pedro da Torre, Valença, terá extorquido a verba a uma namorada, de Braga, Maria, de 32 anos - que conseguiu "seduzir, entusiasmar e defraudar, logrando que se apaixonasse por ele" - e que lhe pagou, também, um carro.

O réu, técnico de informática no desemprego e que actuava sob o nome de Pedro Manuel Muller Gomes, enganou Maria, agente de seguros na cidade, a quem garantiu ser "filho de uma família abastada da Suíça", com residências em Paris e Zurique, médico-cardiologista e gestor de um grupo de empresas de resíduos sólidos urbanos.

Usava documentos com essa identidade, e com as respectivas contas bancárias, que falsificou na sequência de um documento consular, que lhe foi passado por lapso na Suíça.

"Trajava de forma irrepreensível, e mostrava-se bem assessorado técnico-juridicamente, visando sempre a conquista da necessária confiança das potenciais vítimas", refere o Ministério Público (MP) na acusação.

Durante as alegações finais do julgamento, o delegado do Procurador da República lembrou que há, pelo menos, sete casos ao qual o alegado "burlão" está associado, com outras tantas vítimas do sexo feminino, dois deles a correr nos tribunais do Entroncamento e de Castelo Branco.

O acórdão de sentença hoje proferido sustenta que, pouco depois de começar o namoro com Maria e para a enganar, alegou atrasos nas transferências bancárias da Suiça, para lhe pedir o dinheiro "emprestado".

Para tal argumentou que não possuía declaração de IRS em Portugal, dado que estava registado nas Finanças da Suíça, como empresário.

Tempos depois, e vendo que o «namorado» não devolvia o dinheiro emprestado e passava a vida a "inventar desculpas", Maria começou a interessar-se pela sua vida, investigando-a.

Isto revelou-se, no entanto, tardio dado que o «Roby do Minho» desapareceu sem deixar rasto, levando com ele a viatura.

LM.

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