Dois milhões de portuguesas em menopausa, mas só 4% fazem terapêutica
Em Portugal existem dois milhões de mulheres em menopausa, mas apenas três a quatro por cento recorrem à terapêutica para minimizar riscos de doenças, disse hoje à Lusa o presidente da Associação Portuguesa de Menopausa (SPM).
"Todos os anos registam-se cerca de 300 mil novos casos de mulheres que entram na fase da menopausa, mas só três a quatro por cento em Portugal e Espanha é que recorrem à terapêutica hormonal", observou Mário de Sousa, presidente da SPM, referindo que em França 20 a 30 por cento das mulheres fazem tratamento com hormonas.
No âmbito da III Reunião Ibérica de Menopausa, que está a decorrer hoje e sábado em Vilamoura (Algarve), o presidente da SPM adiantou à Lusa que a entrada em menopausa "aumenta o risco de cancros no ovário, mama, intestino, assim como eleva a ocorrência de osteoporose e doenças cardiovasculares.
A menopausa - cessação definitiva das regras menstruais - aparece nas mulheres com idades entre os 45 e 55 anos, sendo a média de idade os 52 anos.
A menopausa, contudo, pode surgir antes dos 40 anos - a chamada menopausa precoce - afirmou o presidente da SPM, Mário de Sousa.
Para diminuir o risco de cancro, de tromboses, enfartes e outras doenças associadas à menopausa e elevar a qualidade de vida das mulheres, a terapêutica hormonal é a melhor prevenção actual que a mulher pode seguir, disse à Lusa o ginecologista e obstreta Luís Sá, assistente graduado no Instituto Português de Oncologia (IPO) de Coimbra.
Num estudo que o especialista realizou a mil mulheres em menopausa que estavam a tomar hormonas e com mais de 50 anos de idade, concluiu-se que existia uma diminuição de "50 por cento do risco cardiovascular" e "diminuição da incidência de osteoporose".
A toma de hormonas diminui ainda a "incontinência urinária", a "atrofia vaginal, evitando problemas no acto sexual" e a "doença de Alzeimer", observou Luís Sá.
Sobre o aumento do cancro da mama devido à toma de hormonas, Luís Sá argumenta que o mesmo estudo conclui que as mulheres que não tomavam hormonas "tinham três cancros da mama" e as que tomavam hormonas o número apenas aumentava para 3,8.
Segundo Luís Sá, a obesidade e o álcool aumentam mais os riscos de cancro nas mulheres em menopausa que não fazem a terapêutica hormonal do que nas que fazem.
Pelo contrário, o especialista refere que o exercício físico diminui o aparecimento do cancro da mama nas mulheres com menopausa.
O primeiro sintoma da entrada na menopausa é a "falha da menstruação durante um ano", mas os calores bruscos seguidos de suores são outras das características da menopausa, enumera o especialista.
No painel de hoje o tema em destaque foi "Preocupações da Mulher em Menopausa", onde se discutem quatro painéis: "Cancros", por Daniel Pereira da Silva, "Osteoporose", por Fernanda Geraldes, "Doenças cardiovasculares", por Rafael Borrego Sánchez, e "Qualidade de Vida", por Camil Castel Branco.
Dia 04, sábado, o tema é da reunião Ibérica é "Tratar a mulher em menopausa na prática clínica em 2006" e serão apresentados os painéis "Terapêutica hormonal", "Biofosfonatos", "Modificar os estilos de vida", entre outros.
O evento médico, que conta com a presença de cerca de 200 especialistas portugueses e espanhóis é uma iniciativa da SPM, em conjunto com a Associação Espanhola para o Estudo da Menopausa (AEEM) e conta, nesta edição, com o patrocínio da Sociedade Ibero-americana de Informação Científica.