Dois polícias agredidos "à porta da esquadra" de Beja

Beja, 28 Abr (Lusa) - Um jovem de 18 anos foi detido domingo pela PSP, em Beja, por alegadas agressões físicas a dois agentes policiais "à porta da esquadra", denunciou hoje a Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP).

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Em declarações à agência Lusa, Paulo Rodrigues, da ASPP, explicou que o caso aconteceu na manhã de domingo, quando o indivíduo começou por "agredir a pontapé um chefe que estava à porta da esquadra" de Beja da PSP.

"O chefe ficou com o maxilar partido e um outro agente, que o ia socorrer, acabou também por ser agredido a soco pelo mesmo indivíduo, mas conseguiu-o controlar e deter", disse.

Contactado pela Lusa, o comando de Beja da PSP adiantou que o indivíduo, de 18 anos, residente no distrito de Beja, foi detido às "07:45" de domingo por "agressões a dois agentes da autoridade", mas contrapôs que o caso aconteceu "nas imediações da esquadra".

O comando da PSP limitou-se ainda a acrescentar que o jovem foi hoje presente ao tribunal de Beja, tendo saído em liberdade com Termo de Identidade e Residência (TIR) e a obrigatoriedade de apresentações diárias no posto da GNR da área de residência.

Fonte do Centro Hospitalar do Baixo Alentejo, contactada pela Lusa, adiantou que os elementos policiais agredidos, ambos de 41 anos, deram entrada no Hospital de Beja por volta das "09:30" de domingo.

"Um apresentava um golpe entre os sobrolhos, tendo sido suturado com dois pontos e tido alta. O outro foi submetido a uma TAC, que confirmou uma fractura do maxilar, e transferido para o Hospital de São José, em Lisboa", revelou.

O mesmo responsável da ASPP mantém que as agressões ocorreram "à porta da esquadra", depois de o jovem ter sido submetido a interrogatório policial.

"O indivíduo foi levado para interrogatório e, à saída, começou a empurrar o chefe, tendo deixado cair o telemóvel. Quando o chefe foi para apanhar o telemóvel do chão, levou um pontapé na cara", relatou.

Paulo Rodrigues lamentou as agressões, garantindo que o caso, tal como o que aconteceu no mesmo dia em Moscavide, revela a "falta de efectivos da PSP".

De acordo com o jornal 24 Horas, um grupo de 10 a 15 homens invadiu domingo à tarde a esquadra da PSP de Moscavide, concelho de Loures, agredindo um jovem de 20 anos que pretendia apresentar queixa do grupo.

Ainda segundo o jornal, na esquadra estava apenas um agente.

"Tendo em conta a escassez de meios da PSP, o comandante de esquadra tem tendência para colocar uma maior quantidade de pessoal na rua, para segurança dos cidadãos, mas, quando há falta de efectivos, não se consegue chegar a tudo e abrem-se brechas na segurança da própria esquadra", argumentou Paulo Rodrigues à Lusa.

O mesmo dirigente sindical lembrou que, "desde 1999", que a ASPP tem alertado os "sucessivos governos para a falta de efectivos na PSP", mas, ao longo dos anos, "tem-se assistido ao desinvestimento nas forças de segurança e à ausência de políticas de segurança sérias".

"A sociedade evolui, a criminalidade evolui e a PSP deve evoluir ao mesmo ritmo, senão começa a caminhar para o precipício", sustentou Paulo Rodrigues.

O responsável da ASPP exigiu ainda do actual Governo um "maior investimento" na área e a adopção de "políticas de segurança sérias" para que as forças policiais "possam combater a verdadeira insegurança, que é a criminalidade, mas também o sentimento de insegurança da população".

"Temos que transmitir à sociedade que temos tudo o que é necessário para combater a insegurança e estes casos têm servido para prejudicar a imagem da PSP perante os cidadãos, que se questionam onde estarão seguros, se nem nas esquadras o estão", disse.

Paulo Rodrigues defendeu ainda que a instalação de câmaras de videovigilância nas zonas de atendimento e na envolvente das esquadras é outro dos instrumentos necessários para a PSP.

RRL.

Lusa/Fim


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