"Dona Branca" de Gondomar requer instrução do processo para tentar evitar ida a julgamento
Porto, 28 Abr (Lusa) - Uma bancária de Valbom, Gondomar, acusada pelo Ministério Público (MP) de ludibriar o BCP em 10 milhões de euros, requereu a abertura de instrução do processo na tentativa de evitar a sua ida a julgamento, disse hoje fonte ligada ao caso.
Jesuína Neves, 53 anos, conhecida como a "Dona Branca de Valbom", que também é catequista e tesoureira do Centro Social e Cultural daquela localidade, está acusada pelos crimes de abuso de confiança e burla qualificada, ambos na forma continuada, bem como de dissimulação de bens e produtos.
A pedido de Jesuína Neves e do co-arguido João Moreno, o prazo para abertura de instrução do processo foi prorrogado 15 dias, tendo-se iniciado uma nova contagem de 20 dias úteis, para o efeito, a meio deste mês.
Na origem da acusação deste processo, que corre no Tribunal de Gondomar, está um ilícito financeiro que localmente é equiparado ao que em 1989 determinou a prisão por dez anos de Maria Branca dos Santos, a denominada "banqueira do povo".
Ao contrário de Branca dos Santos, Jesuína Neves fazia crer aos depositantes que estavam a confiar o seu dinheiro a um banco e não a um particular.
Segundo o Ministério Público (MP), a arguida conseguia convencer os depositantes a confiar-lhe o dinheiro para uma suposta aplicação bancária sem riscos e com juros superiores aos habituais.
O seu objectivo era facilitado por ter acesso ao sistema informático do Banco Comercial Português e beneficiar da confiança de outros funcionários.
Em 2002, começaram os primeiros incumprimentos na restituição de dinheiros depositados ou na restituição de juros.
Um ano depois foi detida pela Polícia Judiciária, tal como João Moreno, co-arguido no processo.
O esquema era desenvolvido em conluio com João Moreno, um homem que conheceu em meados dos anos 90.
De acordo com a acusação, entre 1997 e 2002, a arguida desviou dinheiro de clientes da agência de Valbom do BCP, em Gondomar, para a sua própria conta, para a de João Moreno ou de uma empresa deste co-arguido.
Os alegados crimes foram perpetrados depois de se terem gorado as tentativas de João Moreno para obter crédito bancário destinado a adquirir as quotas da empresa de produtos farmacêuticos Farlab, adianta o MP.
A arguida sugeriu então que João Moreno solicitasse o empréstimo, de 77 mil euros, à Caixa Geral de Depósitos, na forma de conta caucionada.
A caução era o saldo da própria Jesuína Neves naquela instituição bancária, que a dada altura se tornou insuficiente para cobrir o "constante reforço de tesouraria" de que João Moreno necessitava.
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