DREL abre inquérito a acontecimentos em escola de Fitares

A Direcção Regional de Educação de Lisboa decidiu abrir um inquérito urgente ao caso do professor de música de uma escola do concelho de Sintra que se suicidou a 9 de Fevereiro devido ao clima de indisciplina e de afronta com que alegadamente se deparava durante as aulas. O retrato deste caso, que surge nas edições do "Público" e "i", já foi rejeitado por pais e professores.

RTP /
O Ministério da Educação quer averiguar o "enquadramento do professor" na escola e os "antecedentes e eventuais acontecimentos que antecederam o suicídio" RTP

Estes dois diários explicam que o professor de música, de 51 anos, com uma licenciatura em Sociologia, enfrentava problemas na sala de aula com "um grupo de alunos do 9.º ano", sendo alvo de insultos que o levaram a expor sete participações à Direcção da escola, visando "o comportamento de um aluno em particular".

De acordo com os jornais, com base nos testemunhos de outros professores e familiares, a escola não chegou a abrir qualquer inquérito.

O Público acrescenta que existem na Inspecção-Geral de Educação participações que apontam para alegado incumprimento daquela escola no que respeita a questões disciplinares.

Duas certezas existem para já neste caso: a 9 de Fevereiro o professor parou o carro na Ponte 25 de Abril e atirou-se ao Tejo; no computador, o docente de música que ainda vivia com os pais, em Oeiras, deixou textos que indiciam e apontam para as razões do suicídio ("Se o meu destino é sofrer, dando aulas a alunos que não me respeitam e me põem fora de mim, não tendo outras fontes de rendimento, a única solução apaziguadora será o suicídio").

Já esta manhã, o Ministério da Educação explicou que o processo de inquérito a estes acontecimentos é "urgente", destinando-se a averiguar o "enquadramento do professor" na escola e os "antecedentes e eventuais acontecimentos que antecederam o suicídio".

Professores e alunos rejeitam relação entre indisciplina e suicídio

Concentrados frente à escola de Fitares, pais dos alunos manifestaram a sua indignação por estar a ser feita a ligação entre o suicídio do professor de música e os alegados actos de indisciplina dos alunos, sentimento que encontrou eco em alguns professores.

De acordo com pais ouvidos pela Agência Lusa, as notícias veiculadas na imprensa esta sexta-feira estão a ser um factor de forte perturbação para os estudantes.

O caso respeita em particular aos alunos do 9.º B, tendo uma encarregada de educação de um dos estudantes desta turma defendido que "é impossível que o professor se tenha suicidado por causa dos alunos. Alguém que pratica um acto destes tem que ter antecedentes. Ninguém se suicida por causa de uma turma. Nunca ouvi falar de violência nas aulas".

"Quando cheguei à escola vi adolescentes muito revoltados. Os alunos do 9.º B dizem que é mentira, que não tiveram responsabilidades no suicídio do professor", acrescentou esta mãe.

Os professores ouvidos pela Lusa seguem o mesmo raciocínio e lembram que o professor de música tinha antecedentes de depressão.

"O professor estava com uma grande depressão. Estava a ter acompanhamento psicológico e a escola fez tudo o que pôde", afirmou um docente a coberto do anonimato.

"Também sou professora de música e nunca ouvi dizer que era alvo de gozo e de maus-tratos. Ele nunca nos disse nada", apontou uma docente igualmente sob anonimato.

FNE defende apoio psicológico a professores

A Federação Nacional de Educação já veio defender que no actual contexto de casos de bullying que já está a afectar os professores deveria ser patrocinado o apoio psicológico a estes profissionais.

Num comentário ao caso do professor de música de Rio de Mouro hoje relatado pelos jornais, a FNE aponta para que seja um caso pontual, não deixando contudo de alertar para o crescente aparecimento de casos de depressão entre os professores.

Nesse sentido, apela à implementação de medidas que visem acompanhar este tipo de indisciplina por parte dos alunos e sugere que os encarregados de educação sejam de futuro responsabilizados pelos actos destes dentro das escolas.

Sem se referir a este caso, o secretário-geral da FNE considera que "deve haver uma responsabilização dos pais ou encarregados de educação em relação ao comportamento de desrespeito dos alunos para com os professores e funcionários das escolas".

João Dias da silva pede a implementação de "mecanismos que façam com que os pais sejam também responsabilizados".

Na passada semana a Confederação das Associações de Pais (Confap) apontava para a retirada de apoios sociais às famílias que vierem a ser responsabilizadas pelos actos de violência dentro das escolas das crianças e adolescentes que tenham a seu cargo.

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