Duas vítimas de Figueiró dos Vinhos eram irmãos, procuravam trabalho em França
Figueiró dos Vinhos, Leiria, 21 Jan (Lusa) - Dois dos quatro portugueses que faleceram hoje num acidente em Espanha eram irmãos, residiam em Figueiró dos Vinhos e tinham ido procurar trabalho a França, disse o antigo patrão de uma das vítimas mortais.
Os dois irmãos, Neutel e Martinho Almeida, de 37 e 34 anos, o motorista da carrinha-táxi, Diamantino Conceição, 49 anos - todos de Figueiró dos Vinhos, distrito de Leiria - e um quarto homem, residente em Sazes do Lorvão, Penacova, são as vítimas mortais do acidente, que provocou ainda três feridos.
"O Neutel andava sem trabalho fixo, tentou arranjar em França, foi com o irmão. Ao que parece não conseguiram e estavam a regressar [quando se deu o acidente]", disse hoje Manuel Nunes, proprietário da gráfica Grafivil, onde Neutel Almeida esteve empregado 18 anos.
Manuel Nunes acolheu Neutel Almeida na empresa de artes gráficas era este adolescente, depois de o ter ido buscar à Casa do Gaiato, em Miranda do Corvo, onde o jovem tinha sido colocado na sequência de problemas familiares.
"Responsabilizei-me por ele e trouxe para aqui, começou a trabalhar aos 13, 14 anos, foi sempre um jovem humilde e trabalhador", recordou Manuel Nunes.
Quase duas décadas depois, casado e com dois filhos pequenos, Neutel Almeida largou o emprego na gráfica: "saiu porque precisava de mais dinheiro. Andou na `faxina` [corte de madeira] e agora ia tentar arranjar emprego em França", explicou.
Segundo Manuel Nunes o acidente deu-se no regresso dos dois irmãos a Figueiró dos Vinhos, onde residiam - Neutel no centro da vila, Martinho a cerca de dois quilómetros - gorada, presumivelmente, a tentativa de emprego.
A carrinha-táxi onde viajavam os portugueses envolveu-se num acidente de viação com dois outros veículos, ao início da manhã de hoje em Pollos (Valladolid), Espanha.
Era conduzida por Diamantino Conceição, 49 anos, casado e pai de dois filhos, antigo emigrante em França, que, desde 2004, frequentemente transportava passageiros para o estrangeiro que ali buscavam melhores condições de trabalho.
"Todas as semanas ia buscar uns e trazia outros. Os patrões já o conheciam e chamavam-no para transportar as pessoas que iam trabalhar para as `contratas` [contratos de pequena duração] na agricultura e apanha da fruta" disse, por seu turno, Mário Rosa, colega de profissão do falecido taxista.
Quando regressou a Portugal, Domingos Conceição "comprou um táxi velho e depois uma carrinha", aquela que ficou hoje destruída no acidente com a qual viajava "todas as semanas" para França, assegurando o transporte dos trabalhadores.
O taxista, licenciado para exercer a profissão a partir da povoação do Cercal, freguesia de Aguda, concelho de Figueiró dos Vinhos, residia, no entanto, na sede de concelho, onde várias vezes era procurado por interessados em viajarem para o estrangeiro, disse, por seu turno, a proprietária de um restaurante junto ao qual o motorista vivia.
Já o presidente da autarquia de Figueiró dos Vinhos, Rui Silva, disse que a Câmara Municipal, e o Governo Civil de Leiria, disponibilizaram "de imediato" equipas de assistentes sociais e psicólogos "para apoiar as famílias os mais possível".
O apoio tem sido prestado nos paços do concelho, onde se concentraram familiares das três vítimas mortais oriundas do concelho.
Figueiró dos Vinhos possui 07 mil habitantes "e outros tantos emigrados em França, Luxemburgo e Suíça", disse o autarca.
JLS.
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