"É duro" ser alvo de buscas da polícia, diz pai de Madeleine
O pai de Madeleine McCann admitiu hoje que é duro ver a sua família como alvo das buscas mais recentes da polícia para encontrar a filha, mas entende que os familiares devem ser tratados como qualquer outra pessoa.
"Claro que é duro", confessou Gerry McCann à pergunta de jornalistas britânicos sobre o facto de o seu automóvel ter sido objecto de buscas na segunda-feira, tal como os automóveis de outros alegados suspeitos.
Em entrevista às televisões britânicas Sky News e BBC News, o pai da menina britânica desaparecida há três meses (a 03 de Maio) afirmou que os pais esperam "ser tratados da mesma forma que qualquer pessoa que que tenha estado" à sua volta.
"Isso é que é correcto e adequado e estamos mais do que satisfeitos em cooperar com a polícia", garantiu.
Já Kate - que segunda-feira evitou as câmaras dos fotógrafos e prestar declarações à imprensa - considerou "intrusiva" a presença de jornalistas à porta de casa e o facto de a imprensa portuguesa noticiar que os seus testemunhos estão a ser revistos.
"É obviamente intrusiva e preferiamos que não fosse o caso e que as pessoas respeitassem a nossa privacidade, mas é mais um obstáculo que temos de ultrapassar", observou.
No momento em que passam 96 dias desde o desaparecimento da filha, Gerry McCann considera "encorajador ver que [a polícia] está a olhar cuidadosamente para todas as hipóteses".
"É um excelente exemplo da colaboração entre a polícia britânica e portuguesa para tentar resolver o caso da Madeleine e o que lhe aconteceu", salientou.
Questionado sobre que tipo de informações os pais estão a receber da polícia sobre a investigação, Gerry afirmou que foram avisados "com antecedência" dos últimos desenvolvimentos.
"Estávamos conscientes de que estes desenvolvimentos iam acontecer, fomos avisados com antecedência, mas naturalmente, após este tempo todo, estamos desesperados por encontrar a Madeleine. Isso é o mais importante", frisou.
Recusando comentar a notícia de que terá sido encontrado sangue no apartamento de onde Maddie desapareceu, alegando que que não quer prejudicar a investigação, Gerry adiantou que a polícia afirmou várias vezes que "estava à procura da Madeleine viva e não dela morta", o que Kate confirmou.
"Não somos ingénuos, mas em inúmeras ocasiões a polícia assegurou-nos que estava à procura da Madeleine viva e não dela morta", vincou Gerry.
"Kate e eu acreditamos fortemente que Madeleine estava viva quando foi levada do apartamento. Obviamente, o que não sabemos é o que aconteceu depois, quem a levou e por que motivo", continuou.
Segundo a imprensa britânica, uma equipa de especialistas da polícia britânica está desde a semana passada no Algarve para rever as pistas reunidas pelos investigadores portugueses.
No fim-de-semana foi feita uma nova busca com a ajuda de cães da polícia britânica à casa da mãe do único arguido, Robert Murat, situada a poucos metros do apartamento de onde a crianca desapareceu, tendo inclusivamente sido cortada toda a vegetação do jardim.
Os mesmos cães foram também levados ao apartamento e, segundo a imprensa portuguesa, foram encontradas vestígios de sangue numa parede, resíduos que estão a ser analisados para ver se coincidem com o ADN de Madeleine.
Vários jornais referem agora que a possibilidade de rapto está a ser descartada a favor de uma hipótese de a criança ter sido morta por acidente ou intencionalmente no apartamento onde a família passava férias, eventualmente por alguém próximo.
Na opinião de um antigo detective britânico ouvido pela Sky News, existe muita especulação à volta do caso "por a polícia [portuguesa] dar tão pouca informação".
"No Reino Unido, a polícia teria uma estratégia para a comunicação social e estariam a dizer: muito bem, vamos divulgar esta quantidade de informação porque pára a especulação", enfatizou Mark Williams-Thomas.
Para Williams-Thomas, que é especialista em protecção de crianças, foi a presença da polícia britânica que originou os últimos desenvolvimentos na investigação, a cargo da Polícia Judiciária desde que começou, há três meses.
As buscas à casa de Murat terão sido realizadas com o objectivo de "ou acusá-lo com provas ou eliminá-lo [como suspeito]", e o sangue no apartamento "devia ter sido encontrado nos primeiros dois dias".
Temendo que as novas pistas possam levar o inquérito a "começar quase do início", o especialista criticou a polícia portuguesa por ter falhado "imensas etapas" no começo da investigação.
"Esperava ver as persianas a serem retiradas e análises forenses feitas no prazo de uma semana, o que não aconteceu. Não vimos serem tiradas impressões digitais no exterior, e isso poderia ter levado a serem descobertas muitas pistas", denunciou.
Lembrou também que a casa do arguido, Robert Murat, "só foi revistada 10 ou 11 dias depois, muito rapidamente, num dia, e não levaram os automóveis".
Finalmente, ironizou sobre o facto de ter visto "na noite passada a sra. Murat [mãe de Robert Murat] a conduzir o seu carro até à esquadra da polícia".
"Se a polícia queria o carro porque tinha potencialmente provas, devia ter ido e apreendido o carro", afirmou.