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Ébola está a dizimar populações de grandes primatas

Ébola está a dizimar populações de grandes primatas

Cerca de um terço da população planetária de chimpanzés e gorilas terá sido morta pelo vírus do ébola. Cientistas que estudam o tema sugerem, a curto prazo, uma vacinação dos animais e, a médio prazo, uma reflorestação das áreas afectadas.

RTP /
Kenny Katombe, Reuters

A estimativa refere-se aos vários surtos de ébola registados desde os anos 1990. Com esse arco de tempo em vista, e com os efeitos já verificados, a cientista e ambientalista Meera Inglis, citada em The Independent, considera que "neste momento o ébola é a maior ameaça à sobrevivência de gorilas e chimpanzés".

Também o World Wildlife Fund (WWF) exemplifica que em 1994, no nordeste do Gabão, o ébola "varreu uma população inteira do que costumava ser a segunda maior população de gorilas e chimpanzés no mundo". Outros exemplos, já referidos em 2006 pelo jornal "Science", referiram uma mortandade de 5.000 gorilas no Gabão e no Congo durante o surto de 2002/2003.

Segundo Inglis, a vacinação poderia ser uma "estratégia de curto prazo", mas uma que fosse mais ambiciosa e duradoura deveria apontar para a reflorestação do habitat perdido por chikmpanzés e gorilas nas últimas décadas. Na verdade, explica, "áreas florestadas mais extensas reduziriam as possibilidades de animais infectados entrarem em contacto uns com os outros".

A par do ébola, outras grandes ameaças àquelas espécies são a captura com objectivos comerciais e a caça.

Cath Lawson, do ramo britânico do WWF para a África Oriental, disse a The Independent que, "embora os cientistas esperem que uma vacina aprovada contra o ébola em seres humanos esteja disponível no começo deste ano, não há neste momento nenhum método viável para vacinar por injecção mais do que uma mão cheia de grandes primatas, apenas protegendo, portanto, uma parte mínima da população global de grandes primatas".

E acrescentou: "Podem ser explorados outros métodos de vacinação, incluindo vacinas 'auto-disseminadas', que idealmente seriam menos invasivas e potencialmente atingiriam muitos mais indivíduos de uma dada população. De momento, estamos forçados a apoiar-nos nas barreiras naturais (rios, povoações humanas, talvez estradas, etc.) para travar o alastramento do ébola e a sua passagem de população a população".
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