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Edgar Correia diz que saída de Carvalhas foi imposta pela direcção

O ex-dirigente comunista Edgar Correia considerou hoje que o abandono de Carlos Carvalhas da liderança do PCP foi imposto pela direcção central do partido e que não corresponde à vontade do ex-líder.

Agência LUSA /

"Foi imposta pelo grupo que há muitos anos controla o PCP.

Carlos Carvalhas cedeu a pressões da linha dura, na altura das perseguições por delito de opinião, mas isso só conseguiu adiar a sua expulsão (de Carvalhas)", afirmou Edgar Correia, do Movimento da Renovação Comunista.

O ex-dirigente da comissão política do PCP, expulso do partido em 2002, considerou que a liderança de Carvalhas estava "esgotada", mesmo para a "linha dura" e lamentou que os militantes "não tenham uma palavra a dizer" no que respeita à sucessão do secretário-geral.

"Estão a encenar um processo de audição, mas a realidade é que os membros do partido não vão ter nada a ver com a escolha do próximo secretário-geral", afirmou.

Quanto ao posicionamento de Carvalhas sobre as divergências internas, Edgar Correia considerou que o líder demissionário comunista "traiu" a renovação.

"Carvalhas foi sustentando um discurso duplo na direcção.

Assumia posições comigo, com o João Amaral, com outros dirigentes, de defesa da renovação, mas mantinha um discurso de sentido oposto com o outro lado", disse.

Edgar Correia sublinhou que "inicialmente, Carvalhas está com o Novo Impulso (documento que preconizava a renovação do PCP) para depois o trair, apenas para se manter como secretário-geral".

"Foi ele que sancionou as expulsões e o processo de marginalizações por delito de opinião" no PCP, acentuou.

Carlos Carvalhas anunciou hoje nos Açores que abandonará a liderança do PCP, depois de confrontado com uma notícia na Capital que anunciava a sua saída, salientando que foi uma decisão pessoal que nada teve a ver com cansaço ou divergências internas.

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