Edição em papel do "Diário Económico" encerra a partir desta sexta-feira

A notícia foi ontem confirmada à redação - a edição papel do jornal Diário Económico vai desaparecer das bancas. O projeto permanece nas suas facetas de televisão (ETV) e online.

RTP /
A capa da edição em papel do Diário Económico no dia em que foi anunciado o seu encerramento RTP online

O jornal estava em agonia há vários meses, com salários em atraso e sangria de quadros para novos projetos.

Foi o administrador Gonçalo Faria de Carvalho quem comunicou a decisão aos trabalhadores, justificando-a com a falta de meios financeiros e humanos.

A administração acredita que será possível voltar à edição em papel. O destino dos jornalistas é incerto e só deverá ser decidido ou comunicado na sexta-feira.

Há uma semana, os cerca de 138 trabalhadores do Diário Económico cumpriram uma greve de 24 horas para reclamar o pagamentos dos salários de janeiro e de fevereiro e dos subsídios de Natal.

Protestaram ainda "contra a drástica degradação das condições de trabalho que impõem um esforço totalmente desproporcionado aos trabalhadores para assegurarem o funcionamento dos órgãos de informação para que trabalham, sem que se vislumbre qualquer solução para a situação que vivem".



A administração aguarda ainda que seja aprovado o pedido de Processo Especial de Revitalização (PER) com que avançou no início de março para a editora do "Económico", a S.T. & S. F..

A edição diária impressa do projeto foi fundada em 1989 e é atualmente líder de vendas e de audiências no seu sector, de jornalismo económico.

A crise financeira do Diário Económico - que já em 2014, nas últimas contas divulgadas, apresentava um passivo de cerca de 29 milhões de euros, ao qual acrescia outro de mais de 11 milhões da Económico TV - ditou igualmente a demissão da direção editorial do projeto.

Dia 8 de março, o director, Raul Vaz, referiu não existirem condições para "assegurar o trabalho de qualidade como a plataforma Económico exige."

Na "sequência da comunicação de 23 de fevereiro, e na ausência de soluções para os constrangimentos às condições de trabalho no Económico então reportadas, a direção editorial apresenta a sua demissão," referiram na altura os membros da direção editorial.

O diretor e os subdiretores, Bruno Faria Lopes, Francisco Ferreira da Silva e Tiago Freire, disseram então que iriam continuar a garantir o normal funcionamento do jornal até a administração decidir o destino do jornal.

A demissão da direção editorial acabou por selar praticamente o destino do projeto, pelo menos em papel, após meses de procura de novos investidores terem redundado em fracasso.

A Ongoing Strategy Investments, holding do grupo que detém o Diário Económico, entrou no início de março em processo especial de revitalização (PER) de empresas devido às dificuldades financeiras, tendo sido nomeado um administrador judicial provisório.
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