Educação sexual é necessária mas deve apontar para a castidade

O cardeal patriarca, D.José Policarpo, considera que a educação sexual "é bem-vinda e necessária", mas para ser "verdadeira" tem que ser feita na "perspectiva da castidade".

Agência LUSA /

No quarto de cinco textos que está a publicar semanalmente a propósito do referendo sobre o aborto de 11 de Fevereiro, o líder da Igreja Católica em Po rtugal sustenta que tanto "em termos religiosos como culturais" a castidade surg e como uma "vivência generosa e responsável da própria sexualidade".

D.Policarpo critica ainda o "exercício da liberdade num perspectiva ind ividualista", onde "cada um pode fazer tudo o que quer e lhe apetece".

Trata-se de "uma liberdade individual sem responsabilidade", que o card eal diz encontrar "nos acidentes de viação, nas agressões contra o ambiente, no abandono e abuso de crianças, no aborto".

"O exercício individualista da liberdade origina uma sociedade permissi va. O Estado gasta uma parte significativa das suas capacidades e energias a cor rigir abusos de liberdade", acrescenta.

"Enquanto o ambiente for o de cada um fazer o que lhe apetece, o uso da sexualidade levará, cada vez mais, ao desrespeito da pessoa humana de que resul ta. A violência familiar, o abuso de crianças, a sida, a utilização da mulher co mo objecto, os percalços indesejáveis na adolescência, o aborto".

O catolicismo é a religião apontada como largamente maioritariamente en tre a população portuguesa e a Igreja tem tomado uma posição frontalmente contra a despenalização do aborto que vai ser referendada dentro de 13 dias.

"Concorda com a despenalização da interrupção voluntária da gravidez, s e realizada, por opção da mulher, nas primeiras 10 semanas, em estabelecimento d e saúde legalmente autorizado?" será a pergunta colocada aos eleitores a 11 de F evereiro, igual à do referendo de 1998.

Para a campanha, estão inscritos na Comissão Nacional de Eleições (CNE) 17 movimentos de cidadãos (cinco pelo "sim" e 12 pelo "não") e 10 partidos polí ticos.

Cerca de 8,4 milhões de eleitores estão recenseados para o referendo e a campanha dura 11 dias, entre hoje e 09 de Fevereiro.

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