Eleições na academia de Bragança acabam em greve de fome e pedido de impugnação
As eleições para a associação académica do Instituto Politécnico de Bragança (IPB) resultaram hoje numa anunciada greve de fome e um pedido de impugnação do acto eleitoral por parte de uma lista excluída.
O mandatário da lista rejeitada (M), Silvestre Natário, anunciou que vai entrar em greve de fome por 48 horas, o prazo que a comissão eleitoral tem para apreciar o pedido de impugnação das eleições apresentado pela referida lista.
A comissão eleitoral não admitiu a candidatura alegando irregularidades processais, enquanto os elementos da lista rejeitada dizem que "quem cometeu irregularidades foi o presidente da comissão eleitoral para beneficiar a única lista (A) que acabou por ir a votos, encabeçada por Henrique Gonçalves, filho do presidente do IPB.
Na fundamentação do pedido de impugnação das eleições alegam que a decisão de rejeição da lista encabeçada por Bruno Pereira foi "simplesmente arbitrária e ilegal por não ter notificado os mandatários das hipotéticas irregularidades relativas à não identificação de candidatos aos órgãos".
Os elementos da lista rejeitada garantem que as irregularidades apontadas foram sanadas no prazo legal previsto no regulamento eleitoral, mas mesmo assim a candidatura não foi aceite.
Os contestatários são apoiados pelos presidentes das associações de estudantes de duas das quatro escolas do politécnico, as de Saúde e da Agrária.
José Antunes e Bruno Veríssimo dizem-se "indignados" com a forma como o processo foi conduzido e garantem que não participarão de nenhuma reunião ou actividade da associação académica, onde são vice- presidentes por inerência, se a eleições forem avante.
Consideram que este processo "só serviu para dividir a academia".
As outras duas associações de estudantes, as das escolas de Tecnologia e Educação estão com a lista que foi a votos.
O presidente da comissão eleitoral, Joaquim Maia, acusado de "beneficiar" a lista adversária, é quem vai analisar o pedido de impugnação, cuja decisão pode ainda ser recorrida para a assembleia magna, que é presidida pelo candidato que hoje foi a votos para a associação académica, Henrique Gonçalves.
Os contestatários admitem que as suas tomadas de posição não deverão ter uma resposta positiva.
Ponderam desde já, recorrer a outras alternativas, nomeadamente um abaixo-assinado junto da comunidade académica, que, se recolher mais de metade das assinaturas dos mais de cinco mil alunos, pode provocar a dissolução da assembleia e a convocação e novas eleições.
O presidente da comissão eleitoral, Joaquim Maia, recusou dar esclarecimentos à comunicação social, mandando dizer por um elemento da associação de estudantes que "as eleições estão a decorrer com normalidade e regularidade à luz dos estatutos".