Elevada abstenção na PSP nas eleições para comissões paritárias
O Sindicato dos Profissionais de Polícia (SPP) e a Associação Sindical Independente de Agentes (ASG) garantiram hoje que as eleições para as comissões paritárias registaram "uma abstenção que, em muitos casos, ultrapassa 90 por cento".
Opinião diferente foi expressa à Agência Lusa por uma fonte da Direcção Nacional da PSP, segundo a qual "o acto eleitoral decorreu naturalmente, sem incidentes e com muito civismo".
"De manhã votaram menos polícias, mas à tarde já foi maior a votação", adiantou a fonte, que não possuía ainda dados precisos sobre as percentagens da participação na eleição dos representantes dos polícias nas comissões paritárias.
As eleições de hoje foram as primeiras para as comissões partidárias na PSP, órgãos consultivos que terão como função pronunciar-se sobre os recursos dos agentes que discordarem das respectivas avaliações curriculares, um processo que se iniciou em Agosto.
Em comunicado conjunto, o SPP e a ASG realçam que "sempre estiveram contra estas eleições, porque todo o processo de avaliação no interior da PSP carece de isenção e de uma uniformidade de critérios gritante, muitas vezes feita em função das +caras e corações+ dos avaliados".
As duas organizações sindicais alegam, também, que "não se vislumbra um único candidato para as comissões partitárias, o que significa que os eventuais eleitos ad-hoc e à força poderão renunciar à respectiva eleição".
"Onde é que já se viu fazer-se eleições sem candidatos?", questionou o presidente do SPP, António Ramos, em declarações à Agência Lusa.
Este dirigente sindical defendeu que "a avaliação curricular deve ser suspensa por um período mínimo de dois anos, durante os quais se deve trabalhar para, em sede de alteração do Estatuto da PSP, com a presença dos sindicatos desde o início, se resolver muitas questões pendentes".
O Sindicato Independente da Carreira de Chefe de Polícia (SICCP) também criticou, em comunicado, o acto eleitoral de hoje na PSP.
"A questão de não existirem listas de candidatos leva-nos a pensar que um funcionário poderá ser eleito para as comissões paritárias como representante da carreira dos agentes, chefes e oficiais contra a sua própria vontade", afirma o SICCP.
Por sua vez, a Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP) denunciou ameaças por parte de chefias aos profissionais que decidiram não votar hoje nas eleições para as comissões paritárias.
"Há ameaças feitas na PSP em relação a colegas que não foram votar", afirmou o presidente da ASPP, Alberto Torres, em conferência de imprensa, no Porto.
Alberto Torres afirmou que, por se tratar de "eleições ilegais", nos próximos dias entrará nos tribunais uma acção judicial requerendo a nulidade das mesmas.
Tanto a Associação Sindical dos Profissionais de Polícia (ASPP) como o Sindicato dos Profissionais de Polícia (SPP) - as organizações sindicais maioritárias na PSP - tinham apelado à abstenção nas eleições de hoje.